E o governo federal chega enfraquecido nas três.
A eleição de 2026 não será sobre simpatia e convencimento. Será sobre exaustão.
O governo federal chega ao último ano de mandato sem apresentar nada estruturalmente grandioso, nada que possa ser chamado de transformação consistente. O discurso é de estabilidade, mas a realidade é de cansaço e desgaste.
O país não está vivendo um ciclo de prosperidade. Está vivendo um ciclo de sobrevivência.
Segurança: enfrentamento x teoria.
Os avanços recentes na redução de homicídios não são fruto de liderança federal. São resultado de governadores que decidiram enfrentar o crime organizado de forma direta.
São Paulo, sob Tarcísio de Freitas; Goiás, sob Ronaldo Caiado; Minas Gerais, sob Romeu Zema, são exemplos de políticas de confronto às facções, reforço policial e metas claras.
A Constituição distribui competências, mas a coordenação nacional, o controle de fronteiras e a integração de inteligência são responsabilidades da União, ou seja, do Governo Federal. Enquanto isso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém um discurso que insiste em tratar a criminalidade prioritariamente como “reflexo social”.
Crime organizado não é carência social. É estrutura criminosa fortemente armada.
De acordo com os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou recorde de feminicídios e o maior número de estupros da série histórica. Trata-se de dado oficial. Não há como suavizar isso.
O Judiciário, com decisões que frequentemente flexibilizam o cumprimento de pena, reforça a percepção de impunidade. A soma disso resulta em descrédito.
O governo federal não lidera essa agenda. Ele reage a ela. E a população não liga para teoria sociológica, mas para resultados práticos em seu dia a dia.
Corrupção: o passado voltou
O Brasil voltou ao noticiário constante de escândalos. A promessa de ruptura com práticas antigas evaporou rapidamente. Voltou o modelo conhecido: cargos em troca de apoio, ministérios repartidos como moeda política e acordos feitos para sustentar poder, não para transformar o país.
A sociedade brasileira amadureceu após ciclos traumáticos de corrupção sistêmica. Ela já sabe reconhecer o padrão quando o vê.
A pauta anticorrupção volta com força não porque alguém a inventou, mas porque o cenário a alimenta. Voltamos a ser palco de grandes escândalos de corrupção, algo que a sociedade acreditava ter superado, ainda que temporariamente.
Superfaturamento, desvios de verbas, ministros sendo substituídos e dois grandes escândalos, como o roubo do INSS e a fraude do Banco Master, colocam figuras políticas conhecidas de volta ao centro desses debates.
Impostos e poder de compra: a realidade não cabe na planilha
O governo anuncia inflação controlada. Anuncia crescimento pontual. Anuncia melhora técnica.
Mas o cidadão sente outra coisa na vida real.
O supermercado está mais caro. O combustível pesa. O crédito aperta. E as contas sobram em aberto ao final do mês.
Segundo dados do Banco Central e da CNC, o endividamento das famílias é crescente, refletindo uma realidade que não condiz com o discurso de melhora.
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda é apresentada como vitória social pelo governo Lula. Mas isso não resolve a estrutura tributária regressiva que penaliza o consumo e não é suficiente para convencer em ano eleitoral, ainda mais tratando-se de promessa de campanha que foi postergada para o período eleitoral seguinte.
O Brasil possui uma das maiores cargas tributárias sobre consumo do mundo, o que penaliza proporcionalmente quem ganha menos, ou seja, os mais pobres.
Alívio pontual e isolado não substitui reforma estrutural.
O país não vive prosperidade. Vive contenção, com previsão real de piora econômica.
Populismo como estratégia
O governo Lula aposta no manual antigo: programas sociais ampliados, discurso emocional, retórica de proteção institucional e combate a extremismos. Mas será que isso ainda cola?
Funciona quando a economia cresce, quando há sensação de avanço.
Mas funciona quando o cidadão sente perda de poder de compra? Quando o medo ainda pauta a rotina? Quando o noticiário volta a falar diariamente de escândalos?
Essa é a pergunta central de 2026.
O governo parece preso a uma estratégia eleitoral que funcionou nos anos 2000, mas que pode não responder às demandas de um eleitor mais exigente.
Não vivemos no mesmo Brasil. O eleitor está mais desconfiado, mais endividado e mais impaciente.
2026 NÃO SERÁ SOBRE IDEOLOGIA. SERÁ SOBRE JULGAMENTO.
A oposição vai bater exatamente onde o governo é mais vulnerável:
Corrupção.
Insegurança.
Impostos.
E não é construção artificial de narrativa. É a realidade real da vida do povo. A realidade sempre tende a superar a narrativa quando ela é clara e inequívoca.
O governo está tentando repetir a estratégia eleitoral do passado sem se dar conta de que a arena política mudou?
Porque, se estiver repetindo fórmula antiga para um país que mudou, pode descobrir da forma mais dura que esse manual já se tornou obsoleto.

Tay Pellegrini – Mãe, esposa, empresária. Conservadora, cristã, pró-vida. Liberdade até para quem discorda. Falo de política sem enrolação.