Na semana passada, o Chanceler alemão Friedrich Merz declarou para o mundo inteiro ver e ouvir:
“Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos.”
Após a visita da delegação na COP30 em Belém, evento luxuoso para os holofotes, mas o retrato fidedigno da gestão Lula: luxo para gringo ver, cercado por um cenário de favelas, lixo e esgoto a céu aberto.
Políticos e milionários excêntricos se reuniram, como já fazem há 30 anos, para discutir como “salvar o planeta”. Sustentabilidade, mudanças climáticas, racismo ambiental; palavras bonitas que contrastam com o retrato real de uma Belém largada às traças. Foram bilhões disponibilizados para infraestrutura em um evento megalomaníaco para inglês ver, ou alemão, ou brasileiro, ou apenas para a Janja mesmo.
O discurso do alemão deixou grande parte dos brasileiros desconfortáveis, especialmente quem ainda insiste em defender o teatro oficial.
Eles não se ofenderam pelo cenário de Belém; não foi por mais de 80% dos moradores viverem sem saneamento básico.
A ofensa não foi pela sujeira, pelo lixo espalhado por todos os lados, nem pela violência extrema e as ameaças, inclusive de facções invadirem o evento. Eles não se escandalizaram pelo evento bilionário que não tinha infraestrutura minimamente compatível com o investimento feito.
Eles se ofenderam porque alguém ousou expor a verdade. E a verdade incomoda, a verdade dói. A verdade escancara a farsa. Alguém em sã consciência acredita que 5 bilhões foram destinados de fato a um evento com goteiras, alagamentos e que fez gringo almoçar sorvete?
O Chanceler disse o que todo brasileiro honesto e sensato já sabe. Xenofobia? A velha cartada quando faltam argumentos.
Não houve deboche, houve descrição de fatos. Merz expôs aquilo que sua delegação encontrou, viu e viveu. Um país pobre investindo bilhões em um evento infame, que há 30 anos não promove nada eficaz e real para a vida do povo pobre à sua volta.
Enquanto Janja esbanjava em um iate milionário, 55% da população de Belém vive em favelas. Enquanto o governo investiu no desmatamento para construir estradas, arrotou em seu discurso demagogo sobre como preservar a Amazônia, a mesma que eles destruíram para ver príncipe fingindo gostar de natureza.
Governantes e jornalistas ensaiaram discursos enganadores para pintar um evento inexistente, ou melhor, existente apenas em suas cabeças. O retrato real é uma vitrine de abandono e povo marginalizado. Belém nada mais é do que o retrato do Brasil.
População abandonada, números inflados, IBGE mudando contagem para melhorar índices; papagaios pagos para repetirem uma realidade que nossos olhos não veem e nossos bolsos não sentem.
A indignação parece irônica, ou talvez eles acreditem mesmo no Brasil utópico que construíram e querem nos fazer acreditar existir.
Como falar em sustentabilidade quando temos pessoas sem acesso a água tratada e esgoto? Como falar em energia limpa quando grande parte do nosso povo nem tem energia? Como falar em combustível sustentável quando o brasileiro não tem sequer acesso a meios de transporte dignos?
Por que um país de terceiro mundo, que gasta além do que arrecada, tendo a maior arrecadação da história, está discutindo luxo de primeiro mundo quando é ineficiente para cuidar dignamente do seu próprio povo? É fácil discursar sobre um “futuro verde” enquanto ignoram a realidade cinza do povo.
Quando gringo elogia, somos exemplo em sustentabilidade, mesmo pisando em esgoto. Quando expõe a nossa dura e triste realidade, vira xenofobia.
O Brasil não foi humilhado pela delegação alemã; o Brasil foi exposto. E a verdade, para um governo que vive de mentiras, ofende, ofende muito.
Belém não foi vítima dos alemães. Belém, e o resto do Brasil, é vítima da corrupção sistêmica que, diga-se de passagem, é comandada por esse mesmo governo que diz ter investido 5 bilhões na cidade.
Eu pergunto: onde?
Belém é retratada hoje da forma que o sistema insiste em fantasiar, enquanto discursos baratos tentam mascarar décadas de abandono.
O que doeu para essa gente não foi a fala; foi a exposição internacional da nossa realidade.
Lula, seus seguidores, seu governo, seus comparsas foram expostos. E isso é o que causa mais indignação para quem existe politicamente na base da mentira.
Belém é o retrato do Brasil, o retrato da mentira, o retrato de um Estado governado há anos por gente que arrota vinhos caros enquanto mantém a população na miséria.
Mas um povo que aceita migalhas será governado por quem rouba o pão inteiro.
O problema, dessa vez, não foi o pão roubado, mas o alemão que expôs isso para o mundo.

Tay Pellegrini – Mãe, esposa, empresária. Conservadora, cristã, pró-vida. Liberdade até para quem discorda. Falo de política sem enrolação.