Por trás de um telefonema cordial, um jogo de xadrez geopolítico e uma mensagem clara sobre ideologia e poder.

A imprensa brasileira celebrou de forma uníssona o telefonema entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, retratando o episódio como o início de uma reaproximação histórica entre Brasil e Estados Unidos. Mas, quando todos os jornais falam a mesma língua, geralmente é porque alguém está tentando reescrever o roteiro.

Trump não faz gestos inocentes. Cada movimento, cada palavra e cada cortesia aparente têm propósito calculado. Ele não atua como político tradicional; é um estrategista que usa o discurso da amizade como instrumento de pressão, não de afeto.

Em 2018, Trump trocou ameaças com Kim Jong Un, o ditador norte-coreano e, meses depois, chamou-o de “amigo”, adotando um tom amistoso para mascarar intenções duras. Essa virada é parte de um plano maior: testar limites e desarmar o adversário sem disparar um único míssil. No ano seguinte, ele foi além: tornou-se o primeiro presidente dos EUA em exercício a pisar na Coreia do Norte, ao cruzar a linha da zona desmilitarizada (DMZ). O gesto simbolizou poder, audácia e domínio narrativo.

Ex-presidentes como Jimmy Carter e Bill Clinton visitaram a Coreia do Norte, mas fora do mandato, Trump cruzou a linha enquanto exercia a presidência, justamente para mandar recado.

Após retomar a Presidência, Trump deixou claro que não chegaria para brincadeira. Em discursos e nos atos, ele adota perfil duro, pragmático, disposto a arrumar o que chama de “desordem deixada pelos democratas.” Em seu telefonema com Lula, ele segue a mesma lógica: gesto cordial, mas recheado de cálculo. Após um encontro breve na Assembleia Geral da ONU, Trump expôs o Brasil em seu discurso e colocou Lula em xeque, em um movimento que constrangeu quem dizia que ele não estava aberto ao diálogo. Ele elogiou, mas deixou claro que o Brasil precisa dos EUA e que sua situação só melhorará com essa parceria. Lula, por sua vez, evitou um encontro presencial no Salão Oval, temendo repetir o episódio de Zelensky, que foi almoçar com anfitriões americanos, teve sua agenda cancelada e foi convidado a se retirar abruptamente da Casa Branca.

Essa cautela de Lula demonstra que ele sabe que o cenário não é amistoso, mas sim um campo de disputa simbólica.

O gesto cordial de Trump carrega seu lado estratégico e a evidência vem em seguida: Trump indicou Marco Rubio, senador republicano e um dos maiores críticos dos regimes de esquerda no mundo. Rubio é o pesadelo da esquerda latino-americana, defensor ferrenho da liberdade de mercado e voz constante contra ditaduras aliadas a Lula, como a de Cuba, Venezuela e Nicarágua. Rubio é o Secretário de Estado Americano, responsável por executar as políticas externas do Presidente por meio do Departamento de Estado, que inclui o Serviço Exterior, o Serviço Civil e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.

Se o que estivesse em jogo fosse uma negociação econômica, o escolhido por Trump seria Scott Bessent. Isso fala mais alto que qualquer telefonema: o diálogo é formalidade, não afinidade. Trump negocia com todos os líderes globais, mas quando o interlocutor representa o oposto da Primeira Emenda americana, governos que flertam com o controle estatal e regimes autoritários, ele muda o tom, mas mantém a firmeza.

Enquanto o governo brasileiro tenta vender o episódio como vitória diplomática, o que de fato está em jogo é o reposicionamento estratégico dos EUA diante dos governos de esquerda na América Latina. E com Rubio no tabuleiro, o recado é evidente: Trump não pretende ignorar o avanço socialista no continente, tampouco tratá-lo com condescendência.

O telefonema foi apenas o primeiro movimento. Trump joga política como xadrez: observa, testa e ataca no momento certo. Diante de seu histórico, é difícil imaginar que seu próximo lance tenha tom conciliatório, sobretudo diante dos avisos já dados e da trajetória política do chefe de Estado brasileiro.

Tay Pellegrini – Mãe, esposa, empresária. Conservadora, cristã, pró-vida. Liberdade até para quem discorda. Falo de política sem enrolação.

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