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Ucrânia x Rússia: “É insanidade querer tomar posição ou se aventurar a examinar mil e uma teorias”

"O verdadeiro problema é compreender as consequências possíveis e prováveis desse conflito para o Brasil, para os brasileiros, para as nossas famílias e para cada um de nós, e este é um problema muito mais cabeludo", revela Filipe G. Martins

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Resgatei um texto antigo, escrito por mim em 2017, que pode vir a calhar diante da ansiedade injustificada que alguns estão demonstrando com o desenrolar dos fatos na Ucrânia:

“(…) eu gostaria de lembrar, assim de passagem, como quem não quer nada, de uma das dádivas humanas mais negligenciadas e menosprezadas nestes tempos de globalização, internet e cosmopolitismo: nossa esfera de ação pessoal é muito pequena, limitada a uma parcela infinitesimal da humanidade, e isso, felizmente, nos desobriga de emitir juízo sobre tudo o que foge do alcance, restritíssimo, do nosso raio de ação.

Vejam bem, não estou endossando aquela bobagem de que simplesmente não podemos julgar ninguém ou dando respaldo a qualquer tipo de relativismo moral, estou dizendo apenas que devemos aproveitar a benesse de não termos sido constituídos investigadores ou juízes das situações e figuras distantes, fragmentadas, fantasmagóricas e confusas que nos chegam, junto com um emaranhado de informações desencontradas, por meio da linguagem oca da mídia, e dedicar nosso tempo a assuntos mais edificantes para as nossas vidas e para as vidas daqueles que dependem de nós de alguma forma.

Quanto ao exercício do justo juízo, me parece melhor guardá-lo para situações reais e para aquelas pessoas que efetivamente fazem parte das nossas vidas e que, por isso mesmo, nos conhecem e por nós são conhecidas; que nos afetam e por nós são afetadas. Se esta não é a posição mais sábia — e eu, pessoalmente, estou convencido de que é — certamente é a que menos pode fazer mal às nossas almas. Afinal, a pretensão de ter opinião sobre tudo e todos, notem bem, também é um traço da mentalidade dos que querem transformar radicalmente uma sociedade que sequer são capazes de compreender.

Se podemos deixar os juízos universais e categóricos para Kant e para aqueles que ele adoeceu, enquanto nos ocupamos com a vida real (aquela que se desenrola ao nosso redor e não nos jornais), por que diabos vamos perder tempo brincando de juízes e brigando com quem discorda da sentença do nosso tribunal imaginário?”

Sigam o conselho do Professor Olavo de Carvalho e busquem “descrever antes de opinar”: quando não se consegue ter nem uma descrição precisa de um determinada situação e identificar os elementos mais básicos que a constituem, é insanidade querer tomar posição ou se aventurar a examinar mil e uma teorias sem pé nem cabeça.

Moral e legalmente, está claro o que está se passando: a soberania de uma nação independente está sendo violada e nenhuma das justificativas que apareceram no debate público até aqui servem para relativizar a soberania como um princípio basilar e fundamental das relações internacionais. A posição moral do Brasil foi expressa e tornada clara nas instâncias adequadas para isso. Entretanto, não é disso que se trata: o verdadeiro problema é compreender as consequências possíveis e prováveis desse conflito para o Brasil, para os brasileiros, para as nossas famílias e para cada um de nós, e este é um problema muito mais cabeludo.

Numa sociedade culturalmente atrofiada, a coisa mais inevitável é que todas as correntes de opinião que aparecem na discussão pública sejam apenas cópias ou reflexos de modelos impostos, desde o exterior, por lobbies e grupos de pressão que têm seus próprios objetivos globais e não estão nem um pouco interessados no bem-estar do nosso povo. Cada ‘formador de opinião’ é aí um boneco de ventríloquo, repetidor de slogans e chavões que não traduzem em nada os problemas reais do país e que, no fim das contas, só servem para aumentar prodigiosamente a confusão mental reinante” — Olavo de Carvalho, grande mestre

Filipe G. Martins – Professor de Política Internacional, Analista Político e Assessor Especial da Presidência da República
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