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Movimento “Sleeping Giants” chega ao Brasil para censurar a mídia alternativa

Anônimos induzem marcas a retirar publicidade de sites conservadores sob pretexto de combater o “extremismo”

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A iniciativa intitulada “Sleeping Giants” foi lançada nos EUA, durante as eleições de 2016, como forma de boicotar mídias independentes, consideradas “sexistas”, “racistas” ou “radicais” na visão dos idealizadores da plataforma.

Apesar da boa intenção desse tipo de proposta, hoje existente em 11 países, ela passou a ser usada como um trabalho sistemático de perseguição para retirar publicidade dos maiores anunciantes do Google de sites conservadores.

Por meio de denúncias anônimas, as empresas recebem a notificação de que suas marcas estão sendo veiculadas em algum site considerado “extremista”. Esse trabalho induz as empresas e seus clientes a boicotarem os sites, levando a uma queda considerável da receita das organizações de mídia alternativa.

Ainda que a renda de anúncios não seja tão expressiva para sites pequenos, os portais com maior volume de acesso dependem disso. Segundo informações do site conservador americano Braitbart News, eles perderam milhões de dólares com esse tipo de ataque.

A versão brasileira logo surgiu também, após uma reportagem no jornal El País apontando a eficácia dessa abordagem em outros países. Enquanto a conta original norte-americana se define como “um movimento para tornar o fanatismo e o sexismo menos lucrativos”, o perfil nacional pretende “impedir que sites preconceituosos ou de fake news monetizem através da publicidade”.

“Em breve, investigaremos outros sites, mas nosso principal objetivo é impedir que as empresas apoiem inadvertidamente sites racistas, xenófobos, antissemitas, sexistas e homofóbicos. Por enquanto, estamos apenas informando sua presença nesses sites. A questão maior é a prestação de contas da publicidade na internet”, diz a descrição de uma página no Instagram.

A ‘investigação’, entretanto, se resume ao achismo ideológico abstrato, uma vez que nenhum tipo de documento ou relatório objetivo é utilizado para comprovar a suposta propagação de “fake news” ou “discurso de ódio”. Não é conveniente para nenhuma marca vincular seu nome a fontes ofensivas pelo risco de sofrer boicote de seus clientes, portanto a simples denúncia basta para que a ligação seja desfeita.

Empresas como Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino e Telecine retiram suas propagandas de sites após denúncias anônimas.

“Restringimos e estamos sempre atentos para não estarmos em sites questionáveis voltados à disseminação de fake news, difamação e linguagem grosseira, conteúdos sensacionalistas e chocantes e propagação de mensagens de ódio”, afirma o Telecine em seu canal, como aponta o El País.

Já O Boticário, por exemplo, afirma “Quando percebemos algo que passou despercebido, incluímos imediatamente na lista de bloqueios. Nossos parceiros são escolhidos de acordo com o perfil do nosso consumidor, somado às especificidades da mensagem que queremos passar.”

O golpe causa prejuízo financeiro significativo para a mídia conservadora e não se sabe ainda quem opera diretamente o perfil Sleeping Giants.

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