Nise Yamaguchi alerta sobre risco de o STF cometer um crime contra a humanidade

Segundo a imunologista, milhares de usuários do SUS podem ser prejudicados no combate à pandemia

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Reprodução/Med Talks

A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi divulgou, ontem (25), um artigo no qual alerta sobre o risco de o Supremo Tribunal Federal (STF) prejudicar milhares de usuários do Sistema Único de Saúde ao não permitir a eles o acesso à cloroquina e à hidroxicloroquina nos tratamentos de covid-19.

“A Hidroxicloroquina e a Cloroquina, que estão sendo prescritas em hospitais particulares e convênios médicos, salvando vidas, principalmente quando usadas no início dos sintomas, correm o risco de serem proibidas no SUS”, adverte a oncologista.

O STF restringiu a Medida Provisória 966, e agora passa a ser considerado ‘erro grosseiro’ de agente público, a manifestação de atos que “não observarem normas e critérios científicos e técnicos, tal como estabelecidos por organizações e entidades médicas e sanitárias, internacional e nacionalmente reconhecidas”.

Nise destaca que a MP sequer foi apreciada no Congresso Nacional, e por isso a decisão antecipada movida a pedido de vários partidos políticos causa estranheza. Além de trazer insegurança aos médicos visto que “a chance de receber um protocolo de tratamento que pode trazer benefícios é irremediavelmente destruída pela penalização de prescrição dos medicamentos pelos médicos da rede pública”, escreve Nise.

De acordo ela, o próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) deixou a critério dos profissionais de saúde a decisão pela utilização ou não do medicamento no tratamento da covid-19, o que passou a ser respeitado pelo Ministério da Saúde em 22 de maio.

“Espera-se que a Suprema Corte zele pela vida. Face a uma doença recente, de menos de três meses no Brasil, exigem-se posições corajosas e respostas rápidas, baseadas sim, no máximo de evidências possíveis, mas não podemos esperar por estudos que demorarão meses ou até anos para ficarem prontos. Penitenciar àqueles que lutam por beneficiar seus pacientes no SUS é covardia. Caso essa decisão seja mantida, o STF corre o risco de cometer um crime contra a humanidade”, diz a oncologista.