“República não combina com heróis”, diz Augusto Aras sobre Lava Jato

Rodrigo Maia apoia as críticas do procurador e afirma que o Ministério Público não gosta de ser fiscalizado

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José Cruz/Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, voltou a criticar à força-tarefa da Lava Jato pela falta de acesso a dados de investigações. Segundo relatos de senadores, Aras deixou claro que a “república não combina com heróis”, durante uma videoconferência na última quarta-feira (29) com os parlamentares.

Segundo o senador Major Olimpio (PSL-SP), presente na reunião, o adjetivo se refere ao coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, e ao ex-ministro da Justiça e ex-juiz da operação Sergio Moro.

“A justificativa dele é que não podem haver dados sigilosos só com determinadas pessoas dentro da Constituição”, disse o Major sobre a queixa do PGR de que nem a Corregedoria teria esse acesso liberado.

Em resposta, a força-tarefa emitiu nota afirmando que “não há na força-tarefa documentos secretos ou insindicáveis das corregedorias”.

“Os documentos estão registrados nos sistemas eletrônicos da Justiça Federal ou do Ministério Público Federal e podem ser acessados em correições ordinárias e extraordinárias. As investigações e processos são ainda avaliados pelas corregedorias e pelo Poder Judiciário, pelos advogados de investigados e réus e pela sociedade”, destacou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu apoio as críticas do procurador-geral e afirmou ter a impressão de que o Ministério Público Federal (MPF) não gosta de ser fiscalizado e, ao contrário do que ocorre no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), poucas punições são aplicadas no âmbito do MPF.

“O trabalho que eles fazem é fundamental. Mas a impressão que me dá é que não gostam de ser fiscalizados, muitas vezes. Em determinado momento, qualquer coisa que a gente ia votar tinha uma coletiva lá do pessoal de Curitiba, ‘não pode votar isso, não pode votar aquilo’, como se fossem um árbitro, uma figura acima do bem e do mal”, disse em entrevista à Band.