Início Política Estados contrários às medidas de Bolsonaro são os mais afetados pela pandemia

Estados contrários às medidas de Bolsonaro são os mais afetados pela pandemia

Parlamentares críticos do governo federal fazem uso da hidroxicloroquina e falham na transparência de dados

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O confronto político entre os governadores de estados e o presidente da República, Jair Bolsonaro, se tornou acirrado com a chegada do coronavírus ao Brasil. O principal ponto de discussão é sobre quais medidas devem ser adotadas no enfrentamento à pandemia.

Enquanto parte dos governadores defende o isolamento social e as restrições ao comércio – 10 cidades inclusive já decretaram o lookdown (bloqueio total) em seus municípios – o chefe do executivo defende a flexibilização da quarentena para tentar evitar danos econômicos. Assim, os chefes estaduais começaram a tomar as suas próprias medidas, mesmo sem o apoio do presidente.

O Maranhão, sob comando do governador Flávio Dino, filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi o primeiro Estado a decretar a medida no Brasil no dia 30 de abril e encerrou no dia 17 de maio. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas, Pernambuco, Pará e Maranhão, mesmo aplicando medidas mais rígidas de isolamento social, foram os mais afetados pela covid-19 com os maiores números de casos positivos e também de óbitos.

Total de casos confirmados/óbitos:

  • São Paulo: 83.625 confirmados / 6.220 óbitos
  • Rio de Janeiro: 39.298 confirmados / 4.105 óbitos
  • Ceará: 36.185 confirmados / 2.493 óbitos
  • Amazonas: 30.282 confirmados / 1.781 óbitos
  • Pernambuco: 28.366 confirmados /2.248 óbitos
  • Pará: 26.077 confirmados / 2.372 óbitos
  • Maranhão: 22.786 confirmados / 784 óbitos

A falta de transparência, porém, na divulgação dos dados prejudica uma análise real dos impactos da doença. Os casos são registrados como “confirmados” e “suspeitos”, mas no cômputo oficial devem ser levados em consideração apenas números confirmados. Na cidade de São Paulo, por exemplo, frequentemente alguns municípios divulgam a soma dos casos confirmados e suspeitos.

O secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido informa que o número de suspeitos é necessário para o planejamento de resposta à epidemia. Mas os dados devem ser separados. Essa falta de integração entre os sistemas de registro federal, estadual e municipal refletem no registro geral usado para a tomadas de decisões dos governos e na comparação com outros países.

Segundo a última atualização do Ministério da Saúde, ontem (25), são 374.898 casos confirmados de coronavírus no Brasil. Sendo 153.833 o número total de recuperados e 23.473 de óbitos.

Cloroquina

Em 20 de maio, o presidente Bolsonaro anunciou um novo protocolo ampliando o uso da cloroquina e hidroxicloroquina até no caso de sintomas leves da covid-19, desde que com a anuência do paciente em um termo de consentimento. Mas antes mesmo da determinação, opositores do governo, que até mesmo criticaram o presidente por suas considerações sobre o medicamento, já haviam adotado o uso do remédio sem fazer alardes.

Alguns reconhecem isso, como o próprio governador do Maranhão, Flávio Dino, além dos governadores de Alagoas, Renan Filho (MDB), do Tocantins, Mauro Carlesse (DEM), do Amapá, Waldez Goes (PDT), de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e do Ceará, Camilo Santana (PT), segundo informação do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

No Pará, o prefeito Helder Barbalho (MDB), também crítico do presidente, passou a distribuir o “Kit Covid-19” com cloroquina, azitromicina e outros medicamentos à população, um mês após ter sido diagnosticado com coronavírus. Em São Paulo, Roberto Kalil e David Uip, médicos famosos, fizeram uso do remédio em seus tratamento, apesar de apenas Kalil admitir. E o prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB), incluiu a cloroquina no tratamento para covid em março.

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