Colunista da Folha diz torcer pela morte de Bolsonaro

Ministros pedem a PF que investiguem o jornalista Hélio Schwartsman com base na Lei de Segurança Nacional

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Marcos Corrêa/PR

Em artigo de opinião publicado no jornal Folha de S.Paulo, o colunista Hélio Schwartsman disse torcer pela morte do presidente Jair Bolsonaro, após ele confirmar na tarde de ontem (7) que testou positivo para Covid-19.

Com o título “Por que torço para que Bolsonaro morra”, Schwartsman garante que não se trata de algo “pessoal”, mas que “o sacrifício de um indivíduo pode ser válido, se dele advier um bem maior”, escreveu.

“Torço para que o quadro se agrave e ele morra. Nada pessoal. Embora ensinamentos religiosos e éticas deontológicas preconizem que não devemos desejar mal ao próximo, aqueles que abraçam éticas consequencialistas não estão tão amarrados pela moral tradicional. É que, no consequencialismo, ações são valoradas pelos resultados que produzem. O sacrifício de um indivíduo pode ser válido, se dele advier um bem maior”, disse Schwartsman.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, anunciou ontem (7) que vai determinar à Polícia Federal que investigue o colunista com base na Lei de Segurança Nacional. Mendonça afirmou que “quem defende a democracia deve repudiar o artigo”.

Por meio de seu perfil no Twitter, ele elencou princípios básicos do Estado democrático de Direito. Entre eles, o da liberdade de imprensa, mas destacou, no entanto, que a Constituição limita essas liberdades.

Já Fábio Faria, ministro das Comunicações, declarou que o artigo é um “ataque claro à instituição da Presidência da República” e que, por isso, merece repúdio de jornalistas e dos demais Poderes.

“Todos os jornais repetem a máxima de que as opiniões de articulistas/colunistas não refletem a opinião dos veículos. Por outro lado, foi estabelecida uma linha invisível e subjetiva onde qualquer ministro, senador, deputado ou até mesmo um apoiador que participa ou expressa opiniões ditas ‘antidemocráticas’, a responsabilidade é sempre atribuída ao presidente Jair Messias Bolsonaro”, pondera o ministro.