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O Servidor Covarde

João Carvalho: "Estamos a ver pessoas completamente ordeiras e pacíficas que foram atraídas, sabe-se lá por quem, a descerem até a Esplanada dos Ministérios. Há dezenas e dezenas de vídeos mostrando claramente infiltrados com mochilas cheias de pedras, artefatos outros e garrafas com gasolina, bem aos moldes dos Block blocs e antifas"

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O Mossad, no ano de 1960, capturou o servidor público alemão Adolf Eichmann na Argentina. Brevemente, quem foi esse funcionário? Ele foi um dos principais responsáveis pela deportação dos judeus europeus durante o Holocausto. Em 1932 entrou para o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e depois entrou para a SS conhecida como “o esquadrão de proteção” (Schutztaffel). Uma polícia do Estado que formava uma guarda especial com a função de proteger Hitler e outros dignatários do Partido. Em 1939 Eichmann entra para a Gestapo e foi nomeado Diretor dos Departamentos responsáveis pela deportação e outros assuntos referentes aos judeus.

Esse servidor público do Partido (nazi) dos Trabalhadores Alemães deportou mais de 1.5 milhão de judeus de toda a Europa para os centros de extermínio na Polônia e na União Soviética ocupada, além de outros locais.

Ao fim da II Guerra Eichmann foi preso, mas conseguiu fugir em 1946 e, acreditem se quiserem, conseguiu refugio na Argentina com a ajuda de altas autoridades da Igreja Católica.

Inacreditavel!!!

Em 15 de dezembro de 1961, Eichmann foi considerado culpado de crimes e condenado à morte. Foi enforcado entre os dias 31 de maio e 1 de junho de 1962 (data incerta de propósito) e suas cinzas foram jogadas ao mar.

Enfim…

Nessa época, 1960, a filósofa e cientista política Hannah Arendt, judia alemã e professora na Universidade de Chicago e depois na New School For Social Research, em NY. Hannah Arendt foi escolhida para fazer a cobertura jornalística do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém, Israel.

Vejam senhores, que nessa época a juventude de Israel e da comunidade judaica nos EUA e em outros países tinham vergonha de seus pais por não terem lutado, por não terem resistido. E essa juventude os acusavam de terem sido covardes e desonrados. Só para que você leitor tenha uma ideia, os jovens descendentes dos judeus da II Guerra Mundial, na década de 60, diziam que só criminosos e vadias poderiam sofrer e sobreviver aos campos de concentração.

O que Hannah Arendt observou nesse funcionário monstruoso foram as diversas posturas de frieza, cinismo, indiferença e de dar muito pouca importância ao que ele havia feito na época do governo ao qual servia. Ela percebeu e disse que, ele era um ninguém e com uma linguagem altamente formal cujas frases eram sempre as mesmas:

Eu tive que fazer o que me foi instruído;

Se elas morriam ou não, eu tive que seguir as ordens;

Aquelas decisões foram administrativas;

A minha participação foi mínima;

Eu fiz um juramento. Juramento é juramento. Se o juramento for quebrado, esse homem se torna um lixo.

Frases de Adolf Eichmann como servidor do governo tentando se eximir, se isentar de todas as responsabilidades derivadas de seus “atos administrativos”.

Pois, afinal de contas, ele estava apenas “cumprindo ordens superiores” dentro da hierarquia administrativa dos funcionários públicos do Estado Alemão de sua época.

E o que estamos a ver no Brasil, senhores? Estamos a ver pessoas completamente ordeiras e pacíficas que foram atraídas, sabe-se lá por quem, a descerem até a Esplanada dos Ministérios. Há dezenas e dezenas de vídeos mostrando claramente infiltrados com mochilas cheias de pedras, artefatos outros e garrafas com gasolina, bem aos moldes dos Block blocs e antifas.

Dezenas desses infiltrados já estavam sobre a plataforma das cúpulas do Congresso e vários já estavam lá dentro antes do povo ordeiro chegar.  Repito, há diversos vídeos no Youtube mostrando exatamente isso.

A polícia tem a obrigação de investigar, apurar e descobrir esses tais arruaceiros criminosos que não são patriotas de forma alguma. E descobrir para quem trabalham. A mando de quem fizeram aquilo? O que é óbvio, é que mulheres idosas, grávidas e com filhos pequenos (o que já configura crime, por parte da PF, segundo o código da criança e do adolescente, em deixar detido em um campo ou quadra de esportes da academia) homens idosos com algum tipo de comorbidade e que precisam tomar remédios de forma controlada, famílias inteiras sendo tratadas  como se fossem bandidos e que, verdadeiramente, não são!!!  

Se ligarmos a televisão em qualquer canal e em qualquer programa de jornalismo policial, vemos todos os dias bandidos e até assassinos saírem pela porta da frente das delegacias do Rio e SP e de todos os Estados brasileiros após a tão famigerada “Audiência de Custódia”!!!

E o que vemos na PF em relação à manifestação?

Tudo o que está ocorrendo é flagrantemente ILEGAL!!!

Lei 5.250 de 9 de fevereiro de 1967 em seu Capítulo I sobre Liberdade de Manifestação do Pensamento e da Informação em seu Artigo 1° diz assim:

É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou ideias, por qualquer meio e sem dependência de censura, respondendo cada um nos termos da Lei, pelos abusos que cometer.

E no Artigo 2° diz:

É livre a publicação e circulação, no território nacional, de livros e de jornais e outros periódicos, salvo se clandestinos ou quando atentarem contra a moral e os bons costumes.

E por fim a Constituição de 88 no Artigo 5° inciso IV, diz:

É livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato.

Inciso IX diz:

garante a liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, livre de censura ou licença.

Inciso XVI diz:

Garante a liberdade de reunião pacífica, a ser realizada em locais abertos ao público.

E que foi exatamente isso que fizeram todos que estavam no acampamento em frente ao QG de Brasília.   

Para finalizar esse artigo caros leitores, aqui reproduzo parte dos diálogos entre o juiz e o réu Adolf Eichmann ao longo do seu julgamento:

Juiz: “O senhor não tem ou não teve nenhum tipo de conflito? Não teve nenhum conflito moral entre seu dever e a sua consciência?

Eichmann: “Poderia chamar isso de dicotomia consciente onde fingimos e fugimos de um lado para o outro e vice-versa”.

Juiz: “Era necessário abdicar da consciênciaAbdicar da consciência pessoal?

Eichmann: “Pode se dizer que sim”.

Juiz: “Se tivessem mais CORAGEM CIVIL tudo teria sido diferente, concorda?

Eichmann: “Se houvesse uma hierarquia dentro dessa coragem civil, sim”.

Juiz: “Então, não foi um destino que poderia ter sido evitado? Mas sim uma questão de comportamento humano”?

Eichmann: “Foi uma época de guerra e muita turbulência e não havia o porquê de resistir… era uma gota em uma pedra quente. Virava vapor e não dava em nadaNão havia sentido ou sucesso ou fracasso ou algo assim. Acho que tem a ver com a época, com a educação ideológica, disciplina… essas coisas…”.

Exatamente como dito antes: “apenas cumprindo ordens de forma consciente, porém cínica”. Ainda que sejam ordens flagrantemente ilegais e inconstitucionais, cumprem por pura falta de coragem civil e consciência legal humanitária. Não foram só os militares das forças armadas que fizeram tudo na Alemanha no período do Nacional Socialismo dos Trabalhadores, mas também funcionários públicos banais e sem importância que também articularam e viabilizaram toda a máquina pública para o reino demoníaco de terror, tanto na Alemanha como na União Soviética com o comunismo, na Venezuela, em Cuba e na Coréia do Norte.

E agora salta aos nossos olhos algo bem parecido aqui na nossa Pátria!!!

Brasil, em nome de Jesus, acorde!!!  

João Carvalho (Colunista) – Economista pós graduado em gestão empresarial pelo CEFET-RJ e Jornalista (0013491/DF)
Contato: joaoctc2007@gmail.com
Instagram: joaoctcarvalho

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João Carvalho
Economista pós graduado em gestão empresarial pelo CEFET-RJ

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