Mundo Israel x Palestina: o conflito eterno

Israel x Palestina: o conflito eterno

"Entenda a confusão", destaca Pedro Delfino em novo artigo

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Nos últimos dias, uma ofensiva do grupo islâmico e terrorista Hamas lançou mais de mil mísseis contra cidades israelenses. Já são dezenas de mortos, incluindo civis, mulheres e crianças neste que parece ser mais um episódio do conflito eterno entre Israel e Palestina — e só não está sendo pior por causa do eficiente sistema de defesa antimíssel de Israel.

Entretanto, para entender o que está acontecendo hoje, é preciso compreender primeiro o histórico desse que é um dos conflitos mais complexos e sensíveis dos nossos tempos. Tudo começa no período bíblico do Antigo Testamento, cerca de 3 mil anos atrás, quando o povo judeu consegue formar pela primeira vez o Reino de Israel (eles já ocupavam a região por mil anos antes disso, totalizando 4 mil anos de história). Esse Estado Judeu se prolongaria entre idas e vindas por cerca de mil anos, até 63 a.C. quando ele foi conquistado pelo Império Romano e deixou de existir. “Palestina”, por sinal, é uma palavra cuja origem remonta à província romana da Síria Palestina, que existiu entre 135 e 390 d.C., o que mostra a imensa primazia e precedência de Israel sobre a Palestina.

Mesmo assim, a partir desse momento da história em que o Reino de Israel se desfez, o povo judeu perambulou por séculos sem ter uma nação e um território próprio, até que, no século VIII d.C., com o surgimento do Islã, os muçulmanos dominaram a região e iniciaram a perseguição religiosa aos judeus, que não tiveram outra escolha a não ser fugir e se espalhar pelo mundo.

Do ponto de vista religioso, Jerusalém é a Terra Santa, prometida por Deus aos judeus e por isso mencionada nada menos que 637 vezes na Torá. Por outro lado, para criar um argumento de que ela também é importante no Islã, os muçulmanos reivindicam o seu direito sobre a cidade alegando que Maomé teria realizado uma peregrinação passando por aquele local e, lá, tido uma experiência de subida ao céu. Mesmo assim, de tão importante, o Al Corão menciona Jerusalém em um total de nenhuma vez.

E assim essa controvérsia foi até o século XIX. Nessa época, a Europa passava por uma onda crescente de nacionalismos e o húngaro Theodor Herzl deu origem ao  conceito de sionismo, que dizia não ser possível preservar o povo e a cultura judaica se eles tivessem uma nação para chamar de sua, onde pudessem viver sob suas próprias leis e tradições. Com a posterior escalada do nazismo, porém, e o início das perseguições que levaram ao Holocausto, os judeus que viviam na Europa fugiram em massa e, sem ter para onde ir, voltaram para sua terra de origem, na região da Palestina, onde se localizava a extinta nação de Israel.

O problema é que, sob o domínio islâmico, essa região estava agora tomada por árabes, que se revoltaram contra o retorno dos “infiéis” judeus. Isso deu origem, então, ao conflito entre a comunidade judaica (legítima e histórica dona daquele território) e os palestinos (povo árabe que havia ocupado a região e se sentia, igualmente, o legítimo dono do pedaço).

A Inglaterra, vencedora da Primeira Guerra Mundial, estava controlando a região da Palestina (que antes pertencia ao derrotado Império Otomano) e, para solucionar o conflito, resolveu propor a criação da Peel Comission em 1936, para que a comunidade internacional pudesse discutir o que fazer.

A comissão chegou à conclusão lógica de que, já que existem dois povos se sentindo os verdadeiros herdeiros do mesmo território, o jeito seria dividir o local em dois para que ambos pudessem coexistir. A proposta da Comissão ainda foi muito mais vantajosa em favor dos palestinos, uma vez que os judeus ficariam com apenas 20% do território e os palestinos com 80%! Mesmo assim, os judeus aceitaram o acordo e os árabes não. Para eles, os judeus não podiam ficar nem com 1%.

Em 1947, porém, com a criação da ONU, as negociações foram retomadas e a comunidade internacional decidiu que não podia ficar esperando que os irredutíveis palestinos cedessem (algo que eles prometiam que jamais aconteceria) e, então, foi declarada a fundação do novo Estado de Israel à revelia em 1948. Mas, logicamente, não sem retaliação dos árabes, pois cinco países vizinhos (Egito, Iraque, Síria, Líbano e Jordânia) imediatamente se juntaram para atacar Israel e varrê-lo do mapa logo no seu primeiro dia de existência!

Milagrosamente, Israel (um pedacinho de terra do tamanho do Sergipe) conseguiu vencer a artilharia das cinco nações e isso deu o tom para tudo o que aconteceu depois: Israel sempre aceitando todo e qualquer tipo de acordo que pudesse para selar a paz, inclusive muitos outros em que ele sairia em grande desvantagem (oferecendo extensas partes do seu território e aceitando dividir a Terra Santa de Jersualém ao meio), e os palestinos, mesmo assim, sempre jurando os israelenses de morte, porque, na concepção deles, Israel não tem o direito de existir.

A postura completamente distinta dos dois povos fica evidente quando se trata dos locais sagrados de culto judeu e islâmico: isso porque, nas áreas controladas por Israel, os muçulmanos possuem livre acesso. Inclusive, ocupam um bairro muçulmano inteiro no centro de Jerusalém e frequentam mesquitas livremente como se estivessem no próprio Irã. Por outro lado, nas áreas controladas pelos palestinos, a presença de judeus não é permitida e as autoridades palestinas PAGAM a família de terroristas árabes que matarem judeus, como uma recompensa pelos serviços prestados.

Moral da história: Israel só quer existir, enquanto a Palestina só quer ver a destruição de Israel. 

Além disso, um ponto interessante da história — do qual ninguém costuma falar — é o que mostra o livro Desinformação, escrito pelo tenente-general da KGB, Mihai Pacepa, onde ele dedica um capítulo inteiro às manipulações que o serviço de inteligência soviético organizou no Oriente Médio a fim de incitar o ódio dos árabes em relação ao povo judeu. Infiltração de jornalistas, professores, terroristas, armas, financiamento de organizações, escritores, imprensa… Tudo para acender o fogo na região; fogo esse que infelizmente nunca mais se apagou. 

Segundo o manda-chuva da KGB, a intenção era fazer com que os muçulmanos adquirissem um ódio avassalador contra os judeus para que, depois, esse ódio pudesse ser redirecionado aos EUA, país que possui uma comunidade judaica muito grande e é o alvo maior da União Soviética. O plano deu certo: algumas décadas depois, as organizações terroristas que os comunistas tanto tinham fomentado e incentivado se notabilizaram pelos trágicos e recorrentes ataques contra os Estados Unidos, tendo como símbolo maior o fatídico 11 de setembro.

Essa é a história do conflito eterno, que — como vocês podem ver — possui muito mais elementos a se considerar do que a pobre análise que a mídia consegue nos fornecer. Mas, se tem uma coisa que a mídia certamente vai esconder a todo custo, é o fato de que, por mais que as tensões no Oriente Médio sejam quase impossíveis de resolver, durante os 4 anos do governo Trump, as coisas avançaram no sentido da paz e da conversa, incluindo o acordo histórico entre Israel e Emirados Árabes que fazia parte do grande Acordo do Século, um plano apresentado por Trump para resolver definitivamente a questão na região. Não é de se estranhar que foi só ele deixar o poder que as coisas tenham descambado novamente para a violência e para a guerra. Mas, ninguém vai tocar nesse assunto sob risco de culpabilizar o queridinho da mídia, Joe Biden. No entanto, se fosse ao contrário, já sabemos que Trump estaria em todas as manchetes como o fósforo, que, depois de um bom tempo, fez reacender o fogo da guerra.

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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