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Por que a eleição nos EUA importa tanto?

Trump e Biden colocam em jogo o destino do Ocidente na eleição mais importante da história

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No dia 29 de setembro, foi realizado o primeiro debate presidencial entre Donald Trump e Joe Biden, tendo em vista as eleições do próximo dia 03 de novembro que decidirão se Trump continua na presidência por mais quatro anos ou se Biden o substituirá na Casa Branca.

O que alguns não entenderam ainda é o motivo pelo qual muitos brasileiros fazem questão de acompanhar a corrida eleitoral norte-americana com tanto fervor, uma vez que os Estados Unidos pertencem a uma realidade tão distante da nossa. Engana-se, porém, quem pensa assim, pois, apesar de estarmos separados por tantos quilômetros e sequer fazermos parte do mesmo clubinho de países desenvolvidos, ao qual pertencem os States, muito do que acontece lá em cima tem influência direta sobre a nossa vida aqui no sul da América.

Isso acontece por dois motivos:

1) Os Estados Unidos são a maior potência econômica, política e militar do planeta e por isso as decisões tomadas lá impactam o mundo inteiro, de uma forma menor ou maior, simplesmente porque vivemos em um mundo globalizado onde as distâncias não mais existem, tornando os países interconectados e interdependentes entre si;

2) Nós, brasileiros, fazemos parte de uma coisa chamada Ocidente, que está sob ataque declarado de várias forças geopolíticas antiocidentais e que tem os Estados Unidos como o seu principal defensor e mantenedor de valores; por isso, saber quem estará no comando do nosso maior aliado nessa guerra cultural é algo que definitivamente importa!

Republicanos e Democratas possuem visões e projetos muitíssimo distintos para o futuro dos Estados Unidos e a respeito do viés com o qual o país deverá influenciar o mundo daqui para frente. Após a eleição do republicano Trump, então, essa diferença entre eles se tornou ainda mais gritante e, de lá para cá, os democratas vêm radicalizando seu discurso na direção contrária. Isso quer dizer que temos pela frente duas realidades possíveis, que, dependendo de quem for o vencedor, produzirá um Estados Unidos — e consequentemente um mundo — bem diferente.

Os Estados Unidos de Donald Trump é o mesmo dos últimos 4 anos e nós já o conhecemos: baixos impostos, economia forte, segurança nas fronteiras, menor desemprego dos últimos 50 anos e uma política externa impecável com vitória sobre o Estado Islâmico, defesa ferrenha de Israel, oposição aos ditames ambientalistas, mediação de históricos acordos de paz (do Oriente Médio e das Coreias), além do maior mérito de todos que é o de ter, pela primeira vez na história do país, reconhecido a estratégia antiamericana empenhada pela China e se importado em combatê-la.

Por outro lado, Biden, representante da esquerda norte-americana, tem ideias muito distintas, que, basicamente, vão contra tudo o que foi dito acima, principalmente no que tange a condução da economia, a relação progressista com as minorias, a relação diplomática com o Brasil (Biden afirmou que aplicaria sanções ao país caso nós não cumpríssemos as suas expectativas sobre a Amazônia) e, principalmente, a postura dos Estados Unidos em relação às pautas globalistas, seja das instituições internacionais (ONU, OMS etc.), seja da China. Qual outro motivo poderia explicar a descoberta do serviço de contra-inteligência americano, que informou ao Congresso Federal a torcida intensa que o Partido Comunista Chinês está fazendo pela vitória de Biden? Será que a China, inimiga número 1 dos americanos, quer o melhor ou o pior para os Estados Unidos?

Para nós, conservadores, isso tudo deveria importar tanto quanto uma eleição presidencial no próprio Brasil, pois, sem o auxílio dos Estados Unidos no cenário global, torna-se praticamente impossível hoje para qualquer país mais “fraco” politicamente bancar essas posições conservadoras, interna e externamente, sem ser engolido pela comunidade internacional. Os EUA, sob a administração Trump, portanto, servem como um escudo, que possibilita que o Brasil se mova no campo da geopolítica em direção a posicionamentos mais direitistas, como nós todos queremos. Talvez, essa  influência não seja tão visível e perceptível neste momento em que os governos dos dois países estão alinhados, mas, se Biden vencer e começar a usar a força dos Estados Unidos para impulsionar tudo o que não presta mundo afora — porque é isso que ele vai fazer! — e, além disso, vender o país para os árabes e para os chineses, as consequências para o Brasil ficarão escancaradas.

Sem sombra de dúvidas, esta será a eleição mais importante da história norte-americana; por tudo o que está em jogo e pela capacidade que o resultado tem de determinar os rumos de todo o mundo de uma forma irreversível. O governo Trump foi desesperador para os esquerdistas estadunidenses, pois ele foi muito mais incisivo, realizador e competente do que todos os outros presidentes republicanos desde Ronald Reagan, o que tem produzido uma oposição raivosa e mais radical do que qualquer outra geração do Partido Democrata, ávida por voltar ao poder e trazer mudanças definitivas. Normalmente, uma vitória presidencial é apenas uma conquista momentânea de 4 anos, que logo pode ser sucedida por uma vitória da outra parte e os eventuais erros consertados. Infelizmente, porém, dessa vez o resultado terá um peso muito maior e talvez não seja possível voltar atrás, depois que os Estados Unidos já estiverem de joelhos perante os planos da China.

Pedro Delfino

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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