“Lockdown é mais devastador do que Covid-19”, afirma estudo do J.P. Morgan

Relatório do banco critica a decretação de medidas baseadas em "artigos científicos falhos" por governos "assustados", causando colapso econômico sem precedentes e mais mortes do que o vírus

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As medidas restritivas no combate à pandemia foram criticadas em estudo de Marko Kolanovic, chefe global de pesquisa do J.P Morgan. Segundo a análise, a adoção do lockdown gerou prejuízos para a economia e não evitou a proliferação da doença.

Kolanovic avalia que muitas ações podem ter sido estabelecidas com base em “artigos científicos falhos”. Ele também considera que parte das medidas tiveram motivação política. “Como estamos aprendendo nesta crise, previsões científicas imprecisas, politização das pesquisas e uma abordagem sensacionalista podem ter impactos significativos”.

Em crítica à resistência para a flexibilização das medidas restritivas, Marko sugere que alguns políticos agem com base em seus interesses. “Enquanto nosso conhecimento do vírus e da ineficácia dos lockdowns evoluíram, os lockdowns permaneceram e o foco mudou para o rastreamento de contatos, contemplando surtos de uma segunda onda e idéias sobre como projetar melhores sistemas educacionais, políticos e econômicos”.

Segundo aponta, algumas regiões tiveram queda no número de casos mesmo após terem optado pela reabertura das atividades. “Isso significa que a pandemia e a Covid-19 provavelmente tem sua própria dinâmica não relacionada as medidas de lockdown frequentemente inconsistentes que estavam sendo implementadas”.

“Ao contrário dos testes rigorosos de potenciais novos medicamentos, os lockdowns foram administrados com pouca consideração de que eles poderiam não apenas causar devastação econômica, mas potencialmente mais mortes do que a própria Covid-19”.

Em abril, médicos enviaram uma carta conjunta para o presidente Donald Trump com crítica ao bloqueio total das atividades. Segundo apontam, a paralisação também afeta a área da saúde e muitas pessoas não têm acesso aos hospitais. “Perder um emprego é um dos eventos mais estressantes da vida, e o efeito na saúde de uma pessoa não diminui porque também aconteceu com outras 30 milhões (agora 39 milhões) de pessoas. Manter escolas e universidades fechadas será incalculávelmente prejudicial para crianças, adolescentes e jovens adultos nas décadas que virão”, diz a carta.

“Milhões de vítimas de um lockdown contínuo estão ocultas à vista de todos, mas serão chamadas de alcoolismo, falta de moradia, suicídio, ataque cardíaco, derrame ou insuficiência renal. Nos jovens, isso será chamado de instabilidade financeira, desemprego, desespero, dependência de drogas, gravidez não planejada, pobreza e abuso”.

Kolanovic aproveitou ainda para criticar o oportunismo e a abordagem anti-ciência de personalidades políticas que “se dizem guiados pela ciência e salvadores de vidas para justificar atos que atendem suas agendas”, completou.