segunda-feira, janeiro 25, 2021
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Cristãos, falem de política hoje, para não serem impedidos de falar de Jesus amanhã

"Se a maioria da população professa uma fé, não é aceitável que uma minoria consiga subjugar a nação inteira e impor uma agenda anticristã à educação dos nossos filhos, às comunidades em que nós moramos e à cultura em que nós estamos inseridos", destaca Pedro Delfino em artigo

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Estado Laico, aborto, ideologia de gênero, feminismo, movimento LGBT, marxismo, luta de classes, antifas, legalização das drogas, teologia da Libertação, cultura libertina, propaganda anti-matrimônio, destruição da família, taxa de natalidade em declínio, romantização dos vícios, glamourização do pecado…

São tantas as pautas anticristãs fazendo a cabeça das pessoas, especialmente a dos mais jovens, hoje, que o combate a essas bandeiras na esfera política já passou a ser um DEVER de todo cristão. Certa vez, Bob Marley disse: “As pessoas que estão tentando fazer deste mundo um lugar pior não tiram um dia de folga, por que eu tiraria?”. Se o mal vencer um dia, não será pela força dos maus, mas pela omissão dos bons.

Vejo tantas pessoas doando as suas vidas para a igreja, para a religião, para Deus… e isso é ótimo! Mas muitas dessas pessoas não são capazes de ler uma linha fora da Bíblia, de falar sobre qualquer outra coisa que não seja isso, de se instruir em outros assuntos importantíssimos até mesmo para o futuro do cristianismo. Ora, enfurnar-se em uma redoma religiosa não salvará o país; se fosse assim, na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos poderiam ter investido na construção de igrejas no lugar de equipamentos para as suas Forças Armadas – aposto que teria saído muito mais barato.

O Papa poderia também ter pedido que os Templários ficassem nos mosteiros rezando e jejuando no lugar de combater a invasão islâmica em Jerusalém. Todas essas práticas religiosas, como oração e leitura, são maravilhosas e não devem ser esquecidas nunca, mas, elas servem ao propósito da espiritualização pessoal e não o de vencer guerras (seja ela bélica ou cultural). A batalha está acontecendo aqui, do lado de fora das igrejas, quando vocês vão perceber isso e sair para defender o que vocês acreditam?

Vejo muitos tratando essas questões como menos importantes e se sentindo superiores por estarem se dedicando a algo mais espiritualizado. Vejam que coisa: qual dos problemas é o mais grave, a corrupção ou a violência? Certamente, é a violência. Pelo simples fato de que, para você ter qualquer outro problema na vida, primeiro você precisa estar vivo.

Tragam essa lógica para o tema aqui tratado e coloquem uma coisa na cabeça de vocês: para que vocês possam continuar sendo cristãos, primeiro vocês têm que garantir a LIBERDADE de ser cristão; para que vocês possam continuar pregando o evangelho e convertendo pessoas, primeiro vocês têm que garantir que o poder secular não será tomado por aqueles que querem criminalizar essa atividade; se vocês querem difundir o cristianismo e aumentar a influência dele na sociedade vocês têm que, primeiro, combater aqueles que trabalham dia e noite para censurá-lo e silenciá-lo; se vocês querem que as pessoas estejam cada vez mais abertas à palavra de Deus, vocês têm que, primeiro, quebrar o monopólio de quem está diariamente nas escolas, nas universidades, na TV, na internet, nos jornais e nas revistas fazendo a cabeça das pessoas CONTRA a religião. Ou vocês querem voltar para os tempos da Igreja Primitiva, quando os cristãos tinham que se reunir de forma clandestina, os líderes eram perseguidos e o povo era forçado a renunciar a fé?

Vivemos tempos em que essa absurdidade está por um fio de voltar acontecer, bem debaixo dos nossos narizes e, ainda assim, muitos não se dão conta: acham que política é “coisa dos homens”, é “coisa desse mundo”, é uma disputa mesquinha pelo poder que toma o coração de quem não está preenchido com as coisas mais elevadas do céu… Ora, ainda bem que as gerações de cristãos que nos precederam na história eram formadas por homens e mulheres muito mais conscientes a ponto de jamais cogitar uma distinção tão estúpida quanto essa. Não pense que ainda teríamos uma Bíblia para chamar de nossa se eles tivessem pensado assim no passado…

O cristianismo sobrevive até hoje por causa de muita gente que DEU A VIDA por ele ontem, por causa de homens que não tiveram medo de lutar para defender a civilização que a IGREJA construiu – e isso não significa apenas subir nos púlpitos para evangelizar os já convertidos. A guerra é travada aqui fora.

O ponto de partida para o fim das religiões é exatamente esse: convencer as pessoas de que religião e política não se misturam. Qual é a consequência óbvia dessa crença? Que a política será tomada inteiramente por pessoas SEM religião (não precisa nem ser muito inteligente para concluir isso)… E, considerando que a política é a atividade que serve para tomar as decisões que vão gerir o país e definir os seus rumos, qual é a consequência óbvia de uma política sem a participação dos cristãos? Que tudo aquilo que tiver que ser decidido e que for do interesse dos cristãos (exemplo: não ensinar nas escolas que é normal meninos virarem meninas e vice-versa) será decidido de forma CONTRÁRIA à visão cristã.

E como se os não-religiosos nos dissessem: “Olha, política e religião não se misturam, então fiquem aí quietinhos no canto de vocês que nós vamos debater e decidir as coisas aqui sem nem perguntar o que vocês acham”. E o pior é que ainda tem cristão que acha isso positivo! Meu Deus do céu. É tanta subserviência e passividade que chega a ser suspeito.

Não se trata de impor a nossa religião aos demais, mas de respeitar o preceito da democracia que é o de fazer a vontade da maioria. Se a maioria da população professa uma fé, não é aceitável que uma minoria de ateus consigam subjugar a nação inteira e impor uma agenda anticristã à educação dos nossos filhos, às comunidades em que nós moramos e à cultura em que nós estamos inseridos. É claro que as demais visões de mundo devem ser respeitadas e garantidas também, mas se as minoritárias devem ter esse direito, o que dizer da majoritária?

Continuem indo às igrejas, orando, lendo a Bíblia… mas não se esqueçam de se empenhar também para estudar questões importantíssimas para o futuro do cristianismo (como história, geopolítica e filosofia), e usar esse conhecimento para fazer alguma coisa no sentido de garantir que a sua fé esteja disponível também para a geração dos seus filhos e netos.

Não queiram se salvar sozinhos. Enquanto muitos pensam apenas na própria salvação, existem milhares de pessoas sendo cooptadas todos os dias por ideologias diabólicas que corrompem a mente e destroem a alma delas, desde cedo, desde jovens… Grande parte dessa degradação começa pelo que é resolvido na POLÍTICA e a culpa dela estar acontecendo de forma cada vez mais intensa é de nós mesmos, que preferimos baixar a cabeça e obedecer nossos adversários, entregando o poder em suas mãos para que eles pudessem pintar e bordar com ele. Resultado: com o nosso “consentimento”, é criada uma cultura onde existe cada vez menos espaço para Deus.

Santo Tomás de Aquino foi muito claro: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la”. Portanto, nesse jogo só existem dois lados: se você não está se empenhando para defender as suas crenças, automaticamente você está contribuindo com o que querem destrui-las. De que lado você quer estar?

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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