Guerra Cultural A sombra de Stalin

A sombra de Stalin

"Esse negócio de destruir a economia para ocupar o poder é uma estratégia antiga na guerra cultural", revela JB Carvalho em novo artigo

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O cinema foi usado na história como uma arma de propaganda política. Vladimir Lênin disse que “de todas as artes, o cinema é para nós a mais importante”. E é justamente a sétima arte que tem denunciado os crimes contra a humanidade de Lênin e seus comparsas bolcheviques. O diretor Ridley Scott havia revelado as entranhas do regime soviético em seu brilhante filme Crimes Ocultos. Com roteiro adaptado do best-seller de Tom Rob Smith e estrelado por Tom Hardy, a obra mostra que o paraíso soviético anunciado pela indústria de propaganda do regime era na verdade uma pequena amostra do inferno na terra. A União Soviética de Stalin não foi a terra prometida dos trabalhadores, mas era sim a geografia da desconfiança, da mentira e da traição, onde um irmão que denunciasse outro irmão para o governo, ganharia status e poder dentro do partido, já que demonstrara que seu vínculo com o Estado Stalinista era ainda mais forte do que com a própria família de sangue. Assim, o casamento, a igreja, e o próprio indivíduo eram considerados sacrificáveis para o avanço da grande nação soviética no mundo. A fotografia é portanto de um Estado autoritário, com vigilância total, onde os cidadãos são manipulados pela propaganda governamental.

Os crimes de Hitler só foram realmente conhecidos depois que as tropas aliadas invadiram os campos de concentração nazista. Tardiamente o mundo descobriu a solução final de Hitler de exterminar todos os judeus do mundo. Da mesma forma, na Europa pós-primeira guerra, que fora dizimada pela gripe espanhola e estava ameaçada pelo avanço do nazismo, a União Soviética foi vista por muitos intelectuais como uma opção viável de sociedade. E os crimes de Stalin nem sequer eram imaginados pelo mundo ocidental. Até que o jornalista britânico Gareth Jones, foi conferir por si mesmo a notícia do grande sucesso econômico do governo de Moscou, e clandestinamente viajou à Ucrânia testemunhando o reino de horror, do frio, da fome e da morte. Preso e expulso de volta para o Reino Unido, Gareth contou depois ao mundo a verdade sobre o “grande experimento” de Stalin. Meses depois de revelar os horrores da grande fome na Ucrânia, Gareth Jones foi sequestrado e morto pela polícia secreta soviética.

Joseph Stalin estudava para ser sacerdote da igreja ortodoxa russa quando leu A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES de Charles Darwin e desistiu da fé. Ao chegar ao poder na URSS, Stalin aplicou os princípios do Darwinismo Social exterminando, em números conservadores, vinte milhões de pessoas. O episódio mais dramático aconteceu entre 1932 e 1933 na Ucrânia, onde estima-se que seis milhões de ucranianos morreram de fome quando a agricultura privada foi coletivizada e a produção vendida para outras nações a fim de custear a industrialização nacional no que foi chamado do grande processo de modernização nacional soviética. Os fazendeiros foram expropriados de suas terras e os campos foram abandonados. Quando a base agrícola da nação colapsou, o governo central confiscou a maior parte da produção e passou a prender qualquer pessoa que levasse alimento para sua casa. Enquanto o governo stalinista exportava toneladas de comida para o exterior, cerca de 30.000 pessoas morriam de fome por dia na Ucrânia. Isso foi chamado de HOLODOMOR: MORRER DE FOME. Meses atrás, recebi uma autoridade ucraniana na minha casa para um jantar depois de um culto na igreja. No meio da conversa entrei no assunto, e quando disse HOLODOMOR, aquele homem começou a chorar copiosamente na minha frente.

Holodomor é o tema do filme que assisti essa madrugada na Netflix “A Sombra de Stalin”, onde Gareth Jones é interpretado por James Norton e onde o título original “Mr. Jones”, é uma referência à obra de George Orwell, A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, que se tornou um clássico da literatura política. No início do longa, o escritor britânico (interpretado por Joseph Mawle), aparece numa fazenda em sua máquina de escrever contando a história de como os animais fizeram uma revolta contra o dono da fazenda, o Sr Jones. Eles se juntam para expulsar por meio de uma revolução os humanos exploradores. A fábula de Orwell foi escrita “para qualquer criança entender” e se trata de uma sátira contra a revolução russa. No final, os porcos se tornam os dirigentes do novo regime. Os porcos justificam seu poder: “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”. Era o início de uma nova tirania. Os animais da fazenda não conseguem mais distinguir quem é gente e quem é porco, assim a revolução dos bichos foi condenada ao fracasso de uma distopia. O poder mudou de mãos, e uns poucos continuam explorando a todos.
“Já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.

A Sombra de Stalin é um filme biográfico sobre investigação jornalística que economiza no aspecto gráfico. Produzido em 2019 na Polônia, Reino Unido e Ucrânia, a diretora polonesa Agnieszka Holland foi bastante coerente em não apelar para imagens fortes e extremas do genocídio ucraniano. A cena mais pesada é dos órfãos com frio e famintos cantando uma canção atordoante. Seus pais aparecem “congelados” em suas camas.

O que ainda é pior, é que acredita-se que Holodomor teria sido planejado para impedir que um crescente movimento nacionalista ucraniano ganhasse corpo e levasse um dos mais importantes membros da URSS à independência. Por essa lógica, era importante fragilizar a região para mantê-la fiel ao governo central soviético. Esse negócio de destruir a economia para ocupar o poder é uma estratégia antiga na guerra cultural. A “sombra do ditador” fez escurecer os céus da nação matando milhões de seus compatriotas. Na Ucrânia hoje o comunismo é proibido e em algumas regiões da Rússia o nome de Stalin foi banido, sendo ilegal expressar qualquer apoio público a ele. Mas, o mais INCRÍVEL é que na Rússia contemporânea, o número dos que apoiam o legado do ditador é significativo. Segundo dados de uma pesquisa feita pelo Levada Center, a aprovação a Stalin alcançou 46%. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Ao assistir a película, me perguntava: será possível isso se repetir outra vez na história? Deixe sua opinião nos comentários.

JB Carvalho é natural de Teresina (PI), casado com Dirce Carvalho e pai de Chara e Caris. É pastor presidente da Comunidade das Nações no Brasil e nos EUA. Teólogo, conferencista, professor universitário, compositor filiado a ABRAMUS, jornalista e escritor de 13 livros. Dirigente e presidente da Editora Chara, Academia das Nações e também do Instituto Filhos do Brasil, braço social da CN com diversos programas sociais no país. Ênfase na formação de líderes e no desenvolvimento de pessoas.
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