Igreja é Essencial: pastores defendem a importância da fé em meio à pandemia

Fadi Faraj, JB Carvalho e Wilbert Batista comentam como o apoio da igreja tem ajudado os fiéis a enfrentarem uma crescente onda de ansiedade, depressão e problemas na família

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Neste momento de pandemia do coronavírus, líderes religiosos ressaltam o poder da fé em tempos de crise mundial. Recentemente, a participação dos fiéis em cultos e missas foi permitida pelo Governo do Distrito Federal desde que sejam respeitados os protocolos e medidas para evitar a disseminação da covid-19. Na avaliação de pastores que defendem a retomada das reuniões presenciais, a igreja tem papel essencial neste período.

Com efeitos na rotina dos brasileiros e em diversos setores, como no trabalho, na educação e no convívio social, a chegada da pandemia refletiu também na saúde mental da população, como indicam algumas pesquisas.

Estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, divulgado pela Revista Veja, aponta crescente número de pessoas que relatam sofrer de algum tipo de ansiedade. Segundo o levantamento, desde o início da quarentena no Brasil, a quantidade de pessoas com depressão subiu 50% e a de ansiedade 80%.

O pastor Wilbert Golden Batista, presidente da Igreja Ministério Núcleo da Fé e membro do Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal (Copev-DF), chama a atenção ainda para o aumento dos divórcios. Ele cita pesquisa do Divórcios Brasil que revela que a procura por orientação sobre separação teve crescimento de 177%.

Sobre os dados, o pastor considera que a igreja é uma aliada importante em muitas áreas, como na família. Ao comentar a ampliação da capacidade nas igrejas, ele prefere cautela e defende que as orientações das autoridades de saúde precisam ser seguidas. “A igreja é o hospital da alma e, por isso, é essencial e muito segura sim. […] Muitos fiéis relatam que é o local em que eles sentem mais segurança.”

Já o líder do Ministério da Fé, o pastor Fadi Faraj, avalia que é necessário fomentar o diálogo entre igrejas e governos, já que as instituições possuem também um papel social que foi intensificado durante a pandemia. “Nós {igreja} somos os maiores parceiros do estado, do país, da sociedade.”

Faraj considera que, com colaboração, é possível repensar novas medidas para que mais pessoas tenham acesso às igrejas. “Acredito que podemos adaptar perfeitamente, não queremos benefícios maiores que outros setores têm tido. Você vê lotéricas, bancos, feiras e ônibus funcionando […] eu acredito que todas as igrejas estão como a nossa, onde se tem medidores, tapete especial para higienização dos pés, temos a higienização das mãos”, acrescenta.

“ […] As pessoas, quando elas vão para a igreja, vão para adorar a Deus. É importante a comunhão horizontal sem dúvida […] isso nos alimenta. Só de estarmos próximos, isso já nos fortalece.”

JB Carvalho, bispo da igreja Comunidade das Nações, também concorda que algumas regras estabelecidas em relação à capacidade permitida podem ser reavaliadas. “Ônibus estão cheios, metrôs, supermercados etc. É preciso aplicar o princípio da isonomia. Na igreja, temos completo controle do que acontece, diferentemente dos casos acima.”

Para o bispo, muitos encontram na igreja e na fé conforto para várias áreas da vida. “A igreja dá esperança às pessoas e ativa em cada uma os anticorpos contra o medo e a histeria coletiva. A igreja cuida das famílias e impede a dissolução social. A igreja oferece uma percepção transcendente da realidade, e não somente imanente. A igreja assiste o necessitado em todas as esferas da existência, seja a espiritual, emocional ou física. Sim, igreja é essencial!”

Prioridade pós-pandemia é voltar a frequentar igrejas

Segundo recente pesquisa do instituto Big Data, divulgado pela CNN Brasil, a prioridade número 1 dos brasileiros é voltar a frequentar as igrejas após a suspensão do distanciamento social. Um a cada três entrevistados (32%) pretende participar de reuniões na sua igreja já na primeira semana após a reabertura.