Espiritualidade Faz sentido um cristão apoiar Bolsonaro?

Faz sentido um cristão apoiar Bolsonaro?

"Eu prefiro votar no cara que defende o aborto e o comunismo, do que no Bolsonaro, porque, pelo menos, ele não fala palavrões e não faz sinal de arminha com as mãos..." Assim funciona o senso das proporções na cabeça de muitos seres "politizados" de hoje, revela Pedro Delfino em novo artigo

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Uma questão que muito se levanta para criticar os eleitores de direita é a suposta contradição que há em se dizer cristão e apoiar o Bolsonaro. “Como é possível” — se perguntam os esquerdistas — “dizer-se seguidor de Cristo e apoiar alguém como o Presidente, ao mesmo tempo?”. Não é de se espantar que tal posicionamento cause confusão na cabeça de muitos, afinal, muitos são os que não sabem absolutamente nada sobre cristianismo, nem sobre o Bolsonaro, mas apenas o básico que precisam saber para pegar emprestadas duas ou três ideias prontas de algum “especialista” da Globo e repetir como se fosse o suprassumo da ciência política.

Para início de conversa, quem leu a Bíblia com atenção sabe muito bem que Jesus jamais desafiou as autoridades políticas como manda a cartilha dos revolucionários e como os esquerdistas insistem em dizer que Ele fez.

Ao contrário, foram as autoridades políticas que cismaram com Jesus por causa do ciúme de seu carisma e popularidade. Em resposta a esse conflito, Jesus apenas disse: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

Em outras palavras, não era a intenção de Jesus organizar uma revolução política, por mais tiranos e corruptos que fossem os seus governantes. Pelo contrário, Ele instruiu os seus seguidores a respeitarem as autoridades e a não serem rebeldes, pois, a sua mensagem era: o sofrimento desta vida os aproximará da redenção na vida eterna, então, aguentem, tomem sua cruz e me sigam.

Além disso, Jesus foi um revolucionário em sua época porque a humanidade estava perdida no pecado e precisava dos seus ensinamentos para encontrar o caminho. Por isso, a sua vinda mudou todo o curso da história humana e isso foi revolucionário, de fato. No entanto, na medida em que as suas lições se enraizaram na cultura dos povos e se tornaram a base civilizatória do Ocidente, qualquer ato revolucionário hoje só poderia servir para desfazer o que Cristo fez (uma vez que revolução significa uma ruptura abrupta com o status quo).

Se Jesus estivesse entre nós hoje, Ele, com certeza, não seria revolucionário, mas um conservador, porque Ele seria o maior interessado em CONSERVAR os resquícios que ainda existem da cultura de base cristã que Ele mesmo instituiu há dois mil anos.

Esse jogo de palavras armado pela esquerda só serve então para confundir a cabeça dos desavisados sob o argumento de que Jesus era algum tipo de hippie paz e amor que jamais estaria de acordo com figuras do tipo do nosso Presidente. Mas por que essa ideia consegue se espalhar, então, apesar de falsa?

Porque as pessoas veem o jeito incisivo com que o Bolsonaro ataca as mentiras da mídia; as palavras — por vezes pesadas — que ele usa; e a inconformidade que ele sente diante da imoral agenda esquerdista e pensam: “Esse jeito agressivo não combina com o jeito de um cristão”.

Ora, para elucidar a esses a quem quer que pense que ser cristão equivale a ser um cordeirinho passivo e omisso, vejamos alguns episódios que provam o contrário: 

Mateus 16,23: “Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: ‘Vai para trás de mim, satanás! Tu estás sendo para mim uma pedra de tropeço’.”

Mateus 21,12: “Jesus entrou no templo e expulsou todos os que estavam vendendo e comprando. Derrubou as mesas dos que trocavam moedas e as bancas dos vendedores de pombas. E disse-lhes: ‘Está escrito: Minha casa será chamada casa de oração.’ Vós porem fizestes dela um antro de ladrões!”

Lucas 22,36: “Jesus continuou: ‘Agora, porém, quem tiver bolsa, pegue-a; do mesmo modo, quem tiver sacola, e quem não tiver espada, venda o manto para comprar uma’.”

Nessas três passagens, podemos ver: 1) Jesus usando palavras duras para condenar o erro de uma outra pessoa; 2) Jesus tendo um rompante de agressividade contra os vendilhões do templo; e 3) Jesus explicitamente mandando que os seus discípulos comprem uma espada para se defender.

Isso pode parecer um choque para muitos, mas, essa “face oculta” de Jesus não é nada contraditória com o lado pacifista com o qual estamos mais acostumados. Isso acontece porque a concepção moderna de “amor” está desvirtuada do seu sentido original: hoje, as pessoas ouvem falar em amor e pensam em paixão, em paz, em fraternidade, como se essa palavra pudesse ser simbolizada por um cenário de arco-íris e pôneis saltitantes. Essa ideia não está de todo errada, mas definitivamente está incompleta! O verdadeiro amor contempla tudo isso, sim, mas, também, a dureza da verdade, a repreensão de quem quer o bem do outro, a exortação de quem se importa e a JUSTIÇA dos homens retos. Ou as Escrituras não dizem que “Deus é amor E JUSTIÇA”? 

Justiça é dar a cada um o que é merecido e isso é o que permite que Jesus seja o nosso símbolo maior de amor, bondade e caridade, ao mesmo tempo em que é duro, firme e nada sentimentalista, quando precisa.

O catecismo da Igreja Católica (nº 2263 em diante) é claríssimo ao esclarecer que, apesar do cristão não ter o direito de desejar a morte de ninguém, a legítima defesa é um grave DEVER para aqueles que têm a chance de colocar o agressor na impossibilidade de fazer o mal. O que não está muito longe do que diz a própria Bíblia em Êxodo 22,2: “Se o ladrão for achado roubando, for ferido e morrer, o que o feriu não será culpado de sangue”. 

Moral da história: o Bolsonaro não é perfeito, não é santo, não será canonizado ao morrer, não é o melhor representante possível da doutrina cristã. Como todos nós, ele tem os seus defeitos e nem se esperava que fosse diferente. Agora, é um FATO que, de todos os políticos que nós já tivemos na deprimente história da república brasileira, ele é — com seus erros e acertos — o que mais se empenhou e que com mais força de vontade se entregou à missão de conservar os resquícios da cultura cristã (isso para não dizer que foi o único). E o fato de uma grande parte da população não saber disso, seja por não conhecer o presidente que tem ou a religião da qual se mete a opinar, não torna essa afirmação menos verdadeira. 

Por isso, em resposta aos que ainda estão confusos: um cristão que se preze não apenas PODE apoiar o Bolsonaro, como DEVE tê-lo como a única opção possível. Ainda mais em um cenário político onde todos os candidatos, partidos e instituições responsáveis por defender o aborto, a legalização das drogas, a sexualização da cultura, a glamourização dos bandidos, a demonização da polícia, a roubalheira do dinheiro público, a corrupção ideológica das escolas e universidades, o controle da imprensa, as ditaduras comunistas etc, estão se unindo para vencê-lo e recolocar o país em harmonia com as diretrizes da ordem totalitária e progressista da modernidade.

Deus não está do lado do Bolsonaro porque ele não tem pecados, mas porque ele está do lado certo da história e compromissado em não deixar que todos esses Herodes e Pilatos do século XXI apaguem o nome de Jesus da vida das futuras gerações.

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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1 COMMENT

  1. Melhor Bolsonaro que um VAGABUNDO como Renan, se essa corja derrubar nosso presidente as chances do Brasil se tornar um Venezuela são altíssimo. Infelizmente essa esquerda comédia brasileira que vai pra Disney e compra celular de última geração ainda não entendeu o que está por trás dessa política bandida e corrupta que destrói os valores da família e dos cristãos.

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