Após meses de pressão, Bolsonaro finalmente fez sua indicação para seu substituto na Presidência, mas, aparentemente, sua decisão não foi aquilo que a “direita limpinha”, mais isenta e centrista, esperava. Agora é o momento de deixarmos as paixões políticas de lado e colocarmos à frente o pragmatismo, a realpolitik e a leitura fria do cenário. Política não é lugar de emoções; quem acompanha política emocionalmente é atropelado e varrido para baixo do tapete.
Bolsonaro foi preso. Apesar da prisão claramente arquitetada e premeditada pelo sistema, isso não é surpresa para quem acompanha o jogo político real. Era evidente que o establishment faria de tudo para tirá-lo de cena. Isso ficou escancarado quando ele foi preso dentro da própria casa, obrigado a usar tornozeleira eletrônica, impedido de contato com articuladores e com os próprios filhos, que sempre foram seus verdadeiros porta-vozes.
Com a ida de Eduardo para os EUA e sua popularidade crescente como voz firme, confrontando abertamente o sistema, nasceu ali uma sucessão natural. Mas estamos falando de um sistema que, desde 2018, tenta tirar qualquer “Bolsonaro” de cena. Eduardo tornou-se perigoso demais para o establishment. A evidência está na tentativa frustrada de desmoralizar seu nome e seus feitos.
Diversas pesquisas começaram a ser divulgadas, testando uma infinidade de cenários, mas sempre excluindo Eduardo Bolsonaro, mesmo após ele afirmar claramente que, na ausência do pai, sua candidatura estaria confirmada.
Logo em seguida, o sistema correu para torná-lo réu também.
O motivo? “Articular sanções contra autoridades brasileiras.”
Mas quem sancionou tais autoridades foi o governo americano. Nesse caso, Trump e Marco Rubio deveriam estar respondendo ao mesmo processo? Nem os juristas menos sérios conseguiram explicar essa manobra. Na verdade, a explicação existe: tirá-lo do tabuleiro porque Eduardo é tão popular quanto seu pai. Um perigo real para o sistema.
Bolsonaro, diferente dos velhos caciques, entendeu isso antes de todos e tratou de deixar seu legado estruturado. São quatro filhos, todos políticos, todos com formação e histórico próprio; uma esposa politicamente ativa, que move multidões pela força do carisma e resiliência; e ainda um núcleo enxuto, porém forte, de aliados que cresceram sob o apoio direto da família Bolsonaro.
Após a prisão do ex-presidente, o sistema articulou rapidamente para deixar o movimento sem liderança. Impediu visitas, restringiu familiares a meia hora de conversa em apenas dois dias da semana. A velha imprensa correu para decretar a morte do bolsonarismo.
Mas se o movimento estivesse morto, por que tanto medo? A resposta é simples: o bolsonarismo jamais morrerá.
Podemos citar muitos feitos do governo Bolsonaro, mas seu grande legado inegavelmente foi despertar uma nação inteira para a realidade política do Brasil.
Durante décadas acreditamos que havia uma “direita” combatendo a esquerda. Bolsonaro arrancou a venda dos olhos do país. Mostrou que aquela suposta direita não era direita, mas o centrão disfarçado, fingindo oposição enquanto participava dos mesmos esquemas de corrupção que criticava. O famoso “teatro das tesouras”, ou como gosto de chamar, “a dança das cadeiras” fazendo alternância de poder.
Quando Bolsonaro apareceu, o sistema se uniu imediatamente contra o inimigo em comum. A prova final disso é a chapa Lula-Alckmin. Antigos rivais viraram aliados, mesmo após Alckmin declarar publicamente que Lula era o maior corrupto do Brasil. O sistema se abraçou porque, diante do bolsonarismo, esquerda e centrão compartilham o mesmo medo.
O centrão tem seu jeito próprio de fazer política. Diferente da esquerda, que arranca tudo sem pudor, o centrão entrega pouco para manter um ar minimamente confortável, mas no fim suas políticas não se preocupam com a população, apenas com seus próprios interesses. O bom e velho “rouba, mas faz”.
E foi nesse ambiente que surgiu Tarcísio de Freitas.
Bem quisto por parte da direita, tolerado pelo sistema, palatável para o mercado financeiro e perfeito para uma composição anti-establishment na estética, mas não na prática. O sistema forçou, pressionou e articulou para que Bolsonaro o indicasse.
Por quê?
Teatro das Tesouras 2.0.
Não é segredo para ninguém que Lula foi colocado onde está por ser, naquele momento, o único nome capaz de gerar a sensação de “lisura do processo eleitoral”. Nenhum outro teria a “capacidade de derrotar Bolsonaro”. E usei aspas por um motivo: falar de urnas e código-fonte no Brasil virou quase sentença de prisão.
As eleições de 2022 foram marcadas por censura, favorecimento e ilegalidades. O TSE censurou perfis de direita, calou parlamentares em plena campanha, derrubou conteúdos verdadeiros relacionando Lula à corrupção, ao aborto e às ditaduras que ele apoia. A imprensa não alinhada foi perseguida: Jovem Pan, Oeste, Gazeta, Brasil Paralelo.
Inserções de rádio foram fraudadas. Provas foram exibidas em horário nobre.
E, no fim, tivemos um enorme silêncio cúmplice dos “defensores da democracia”.
Eleição não é só contagem de votos; manipular o processo político é tão grave quanto manipular a urna.
Sem Bolsonaro no jogo, o sistema buscou um nome popular, aceitável e que tivesse o aval dele. Quem melhor que Tarcísio?
Ele é nacionalmente conhecido e bem quisto, ao contrário de Ratinho Jr., Caiado ou Zema. Agrada bolsonaristas, isentos e o centrão. E é exatamente aí que está o problema.
O bolsonarismo nasceu como movimento anti-establishment, a ruptura da direita com o sistema diante da alternância de uma casta no poder. E é justamente por isso que o próprio movimento bolsonarista diverge até mesmo de Bolsonaro nesse ponto. A base não quer voltar para o colo do centrão. Isso ficou evidente em todas as vezes que Bolsonaro, por necessidade estratégica, precisou compor aliança com eles.
O apoio a Ricardo Nunes para a Prefeitura de São Paulo, a votação de Hugo Mota e Alcolumbre, que seriam eleitos mesmo sem os votos da direita, mas precisaram desse acordo para conquistarmos presidências importantes em comissões da Câmara e do Senado, e o caso mais recente da briga fenomenal ao surgir a hipótese de aliança com Ciro no Ceará. O bolsonarismo está cansado do jogo sujo do sistema.
Mas há momentos em que dá para caminhar sozinho e momentos em que a estratégia exige negociação. Só que agora é outro cenário.
Tarcísio é um bom nome para muitos, mas não para quem enxerga o tabuleiro inteiro. Ele é o nome que o sistema escolheu para manter a engrenagem rodando.
O mercado quer Tarcísio, porque o mercado pensa nos seus bolsos, não no país. A esquerda teme perder espaço. O centrão teme perder poder.
Tarcísio é a solução perfeita para eles: estabilidade sem ruptura.
Mas Bolsonaro não entregou o movimento ao sistema e indicou Flávio Bolsonaro.
Com Eduardo fora do jogo por perseguição judicial, restava a Bolsonaro definir um porta-voz oficial. Os “isentões” surtaram. O centrão chiou. A imprensa finge surpresa.
Mas se o bolsonarismo estivesse morto, por que tanta preocupação?
Faltam 10 meses para as eleições. A indicação antecipada serve para reorganizar o movimento, dar comando e restabelecer a liderança.
Sem Bolsonaro em cena, o movimento ficou desgovernado. Agora tem direção outra vez.
Flávio é filho de Bolsonaro, tem sua plena confiança e acumula quase três décadas de vida pública. Seu único desgaste foi a narrativa das rachadinhas, que sequer virou processo. Você realmente acredita que, se houvesse qualquer prova real contra alguém com o nome Bolsonaro, essa pessoa não teria sido destruída politicamente há anos?
Honestamente, falar de eleições presidenciais agora é ingenuidade.
É quase infantil acreditar em “lisura” quando assistimos escândalos bilionários de corrupção sendo varridos para debaixo do tapete pelos mesmos que juram defender a lisura do processo ou a democracia.
Roubo bilionário no INSS envolvendo familiares de Lula. Fraude bilionária no Banco Master envolvendo políticos e nomes do Judiciário, com sigilo imposto por Toffoli, cuja esposa foi sócia do advogado de Daniel Vorcaro. Ministros do STF sancionados internacionalmente por violações de direitos humanos e perseguições políticas reconhecidas. Centenas de exilados políticos (apenas de direita) em pleno 2025.
Alguém ainda tem coragem de falar em “processo eleitoral confiável”?
Se você é bolsonarista, ou mesmo um aliado tático que reconhece o inimigo em comum, acorde. Agora não importa quem é o indicado. O movimento só tem uma liderança legítima: Jair Bolsonaro, que nomeou seu porta-voz de confiança: Flávio Bolsonaro.
Negar isso, neste momento, é se entregar de volta à dança das cadeiras conduzida pelo centrão. Não queremos mais do mesmo, apenas se unam à única liderança que nos tira desse cenário. Primeiro enfrentamos o inimigo em comum, eleições a gente vê depois.

Tay Pellegrini – Mãe, esposa, empresária. Conservadora, cristã, pró-vida. Liberdade até para quem discorda. Falo de política sem enrolação.