Comportamento O verdadeiro genocida será mesmo o Bolsonaro?

O verdadeiro genocida será mesmo o Bolsonaro?

Já dizia George Orwell na obra 1984: “Para controlar um povo e tomar o poder, tem que conhecer os seus medos. E o maior medo das pessoas é o medo da morte. Quando se tornam escravos do medo, é fácil convencê-los de que o Estado irá salvá-los” - Novo artigo de Pedro Delfino

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“De fato, praticamente em todos os lugares as taxas de infecção diminuíram após a reabertura. Isso significa que a pandemia e a Covid-19 provavelmente têm sua própria dinâmica não relacionada a medidas de lockdown frequentemente inconsistentes que estavam sendo implementadas”. Essa é uma declaração dada por Marko Kolanovic, chefe global de pesquisa quantitativa da J.P. Morgan, responsável pela publicação de um relatório completo sobre os dados da pandemia.

Segundo ele, a taxa de infecção em países como a Dinamarca e a Alemanha, por exemplo, continuaram estáveis mesmo depois da reabertura desses países, o que coloca em dúvida a tese de que o fechamento era necessário para se conter a curva. Do mesmo jeito, países que adotaram lockdowns severos como Peru e Argentina, mesmo assim, tiveram uma explosão na taxa de infecção, mostrando que talvez essa medida não seja tão eficiente quanto se tenta vender. Aqui no Brasil, São Paulo, o estado-líder da histeria pandêmica, igualmente, é o absoluto recordista de mortes; e o Rio de Janeiro, que decidiu decretar um período de três semanas de comércio e atividades totalmente fechadas, logo em seguida bateu o seu recorde de casos. Como explicar?

Não é a minha intenção aqui tomar partido a favor ou contra o lockdown, mas, sim, mostrar que NÃO HÁ CONSENSO. Reflita: se você tivesse um posicionamento bem definido diante de uma controvérsia e, ao mesmo tempo, o monopólio da informação, você teria que ser muito honesto e ético para não usar essa influência a fim de fazer com que as pessoas pensem como você, certo? Pois é isso que a mídia vem fazendo (por motivos ideológicos e políticos), uma vez que de ética e honestidade já sabemos que ela não tem nada. Ela mostra apenas aquilo que ressalta a necessidade do lockdown, fazendo parecer que se trata de um consenso firmado e que os discordantes não passam de negacionistas retrógrados, e esconde de todos  nós as inúmeras evidências de que essa questão não está fechada entre os cientistas.

Apesar disso, existe um efeito — aí sim — inegável, em relação às restrições, que é a destruição da economia e o aumento da pobreza. Quanto a isso, os estudos não são nada relativos: todos concordam que a pobreza aumentou e muito durante a pandemia. A própria Globo, em seu portal G1, publicou em 17/04/2021, a matéria de título “Classe média encolhe na pandemia e já tem o mesmo tamanho da classe baixa”. Ou seja, estamos todos ficando mais pobres com o aumento do desemprego, da fome, dos moradores de rua, dos pedintes etc.

Isso quer dizer que existem duas consequências a respeito do lockdown: uma factual, que é o aumento exponencial da pobreza, e outra apenas hipotética, que é a suposta e contestável redução dos casos. Sendo assim, faz algum sentido apostar todas as nossas fichas numa solução que contempla a consequência hipotética e duvidosa ao mesmo tempo em que despreza a consequência factual e certa? Para mim não faz.

No entanto, isso não quer dizer nada, pois os responsáveis por armar esse circo nunca estiveram interessados em lógica, em fatos ou em descobrir a solução de melhor custo-benefício para o país, mas, sim, em adotar a solução de maior custo (sem benefício) para o país, já que a ideia sempre foi fazer com que governadores, prefeitos e ministros do STF se unam para fomentar o caos até onde puderem e, depois, contar com a ação da mídia para fazer com que esse “custo” caia na conta do Presidente.

É claro que a tal CPI, que inventaram para investigar o Bolsonaro, não vai investigar as compras superfaturadas de respiradores, o fechamento precoce dos hospitais de campanha, os equipamentos novos escondidos em parede falsa, a infinidade de casos de mortes atribuídas ao Covid indevidamente, as mentiras em rede nacional sobre os dados oficiais, as decisões políticas do Supremo, a negação do tratamento precoce, a proibição arbitrária de medicamentos, a lentidão na aplicação das vacinas compradas pelo governo federal… Isso porque, assim como o lockdown não tinha como objetivo solucionar o problema de fato, mas afundar a nação na crise, essa CPI também não tem como objetivo encontrar os verdadeiros “genocidas”, mas apenas pintar a caveira do Presidente visando 2022.

Já dizia George Orwell na obra 1984: “Para controlar um povo e tomar o poder, tem que conhecer os seus medos. E o maior medo das pessoas é o medo da morte. Quando se tornam escravos do medo, é fácil convencê-los de que o Estado irá salvá-los”. Por fim, assim como no livro, na vida real também acontece dos verdadeiros tiranos criarem o caos a fim de se apresentarem depois como a solução para os nossos medos, tendo como único objetivo a conquista dos instrumentos necessários para concluir os seus projetos de poder.

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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