“Moro, o calculista”, critica Cláudio Magnavita em artigo

Na avaliação do diretor do Correio da Manhã, Moro parte para “passos milimetricamente calculados na trajetória de continuar a construir a imagem de herói nacional”

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Reprodução/Reuters

As opiniões se dividem em meio à saída de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Enquanto uns apoiam sua decisão, outros criticam o pedido de demissão de Moro, que deixa o governo em tempos de crise causada pela pandemia. Em artigo, Cláudio Magnavita, diretor de redação do Correio da Manhã, aponta “vaidade” por parte do agora então ministro.

“Quando o juiz Sergio Moro resolveu deixar 20 anos de magistratura e aceitar um cargo em um governo eleito por uma onda de direita, que ele próprio ajudou criar, sabia bem onde estava se metendo”, disse.

Segundo sugere Cláudio Magnavita, Moro sai em um momento em que o presidente está em conflito com parte da imprensa e com políticos no Congresso. “O verdadeiro Sérgio Moro iremos conhecer no dia da assinatura da sua ficha de filiação partidária. Moro candidato é o pesadelo dos governadores João Dória e Wilson Witzel. O ex-juiz carioca vira imitação paraguaia junto de um Moro candidato”, disse.

“O curioso é que, ao acusar o Presidente de querer saber detalhes de investigações e até acesso a relatórios de inteligência, o ex-ministro fala sobre práticas que o The Intercept Brasil revelou, e que ocorriam em Curitiba. Moro teve, como juiz e com seus homens de ouro, o comando e o acesso à Polícia federal que nenhum outro Ministro da Justiça possuiu”.

Segundo ele, Moro estaria analisando nova trajetória para “continuar a construir a imagem de herói nacional”. “Para ele estava na hora de sair, este Governo já lhe deu o que tinha de dar”, completa.

O pedido de demissão de Moro também foi alvo de críticas por parte de políticos e líderes religiosos. Com a saída do ex-juiz, o cenário político já começa a articular convites ao então ministro.