Comportamento Algumas verdades sobre o racismo

Algumas verdades sobre o racismo

"Aviso: pessoas que não estão dispostas a pensar fora da caixa e/ou que são péssimas em interpretação de texto NÃO estão convidadas a ler este artigo", destaca Pedro Delfino

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Números frios, jogados ao vento, podem ser usados de forma a provar qualquer tese que uma pessoa queira provar, não é mesmo? Então vamos colocar um pouquinho de contexto nos números sobre a questão racial e traçar uma linha de raciocínio entre eles para responder a questão: o Brasil sofre, realmente, de um racismo estrutural que se manifesta em forma de violência direcionada contra os negros?

Antes de mais nada, quero deixar bem claro, que os dados e conclusões que tirarmos desse texto servem ao propósito de AJUDAR os negros a superarem dois tipos de crença que são extremamente prejudiciais e que atrapalham a sua ascensão social:

1) a crença de que o restante da sociedade tem alguma coisa contra eles e que ela não deseja que TODOS, independentemente de cor, tenham uma vida melhor e mais justa; e

2) a crença nas estratégias erradas para lidar com a desigualdade social entre brancos e negros, em detrimento das estratégias que de fato poderiam ajudá-los nisso.

Para saber: segundo o IBGE, “negro” é o nome que se dá para o somatório dos pretos e pardos.

Dos 208 milhões de habitantes no Brasil em 2018, 55% são negros e 45% são brancos. (Fonte: IBGE)

Entre 2012 e 2017, tivemos uma média de 42.500 mortes de negros por ano.
(Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde).

Em 2017, houve 63.880 mortes violentas no Brasil ao todo.
(Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

Logo, a violência contra os negros representa 66% do total (42.500 negros assassinados dos 63.880 mortos no total).

Se considerarmos que os negros formam 55% da população, é compreensível o fato de que as estatísticas mostrem um número também maior de negros mortos do que de brancos mortos, simplesmente porque existem mais negros do que brancos. Porém, a proporção está um pouco desequilibrada de fato em relação à representatividade de cada um na população, pois, o grupo que representa 55% dos habitantes tem 66% dos mortos. Como explicar?

Veja as estatísticas a seguir:

Entre os 10% mais ricos, 70% são brancos; entre os 10% mais pobres, 75% são negros. (Fonte: Estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil – IBGE)

72% dos moradores de favela são negros. (Fonte: pesquisa | publicada no livro Um País Chamado Favela – Renato Meirelles e Celso Athayde)

A cidade mais violenta do Brasil é Altamira, no Pará, cuja taxa de homicídio é de 105 para cada 100 mil habitante e possui IDH médio de 0,665. Na outra ponta, Jaraguá do Sul apresenta taxa de 3,1 mortes por 100 mil habitantes e IDH de 0,803). Os estados Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pará e Amapá possuem renda per capita familiar inferior a R$ 950 (no ano desse estudo, 2017, o salário mínimo era R$ 954) e são os estados mais violentos do país. (Fonte: Atlas da Violência – IPEA e Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

Os dados apresentados mostram muito claramente: os negros são maioria absoluta entre os mais pobres e os mais pobres normalmente moram nas localidades mais violentas (nos estados mais violentos do país e nos bairros mais violentos das cidades).

Portanto, é lógico entender também que, sendo maioria absoluta nas áreas mais violentas, as chances de morrer são imensamente maiores! Isso explica aquela desproporção de 11% identificada antes (55% da população versus 66% dos mortos) e, até mesmo, nos faz pensar que, se os negros são 75% dos mais pobres e 72% dos moradores de favelas, não seria estranho que a desproporção fosse ainda maior do que 11%.

Mesmo assim, ainda temos que analisar dois pontos:

1) A morte de negros por ações da polícia, a quem muito se atribui uma perseguição racial a indivíduos deste perfil.

Vejamos:

5.804 pessoas foram mortas por policiais em 2019.
(Fonte: Monitor da Violência – Núcleo de Estudos da Violência da USP e Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

75,4% dos mortos pela polícia são negros. (Fonte: 13ª Edição do Anuário da Violência – Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

De fato, a polícia no Brasil mata muito se comparado aos outros países (e nessas mortes estão incluídos muitos negros) – mas a polícia também MORRE muito (e nessas mortes também estão contabilizados muitos negros). Sabe por quê? Porque os policiais, em sua maioria, TAMBÉM são negros e pobres.

Segundo estudo publicado no livro “O Negro na Polícia Militar: Crime, Cor e Carreira no Rio de Janeiro” do Carlos Nobre, os negros são 66% dos praças da Polícia Militar (soldados, cabos, sargentos e subtenentes).

Será que os negros policiais estão participando de uma caçada aos seus próprios? Será que eles estão empenhados em exterminar pessoas de cor idêntica a sua? Não faz sentido a hipótese de que as mesmas pessoas que supostamente seriam vítimas de racismo no seu dia a dia tornariam-se os primeiros a cometer racismo ao colocar a farda. E mais: contra pessoas da mesma cor que a sua.

“Ah, mas é um movimento inconsciente porque o racismo já está entranhado na mente dos policiais que olham para os negros diferente”. Deixa eu te falar: não tem nada de racismo nisso, isso é fruto de um movimento NATURAL do cérebro humano que, durante o processo evolutivo, foi treinado para identificar padrões o mais rápido possível por motivos de sobrevivência. Se você se depara com alguém de jaleco, você imediatamente associa a um médico; se você vê alguém de terno associa a um advogado; se você avista alguém com estereótipo de bandido, é normal que você queira se atentar mais contra ele. Vivemos em uma sociedade altamente perigosa e vivemos com medo o tempo todo. E isso não tem nada a ver com a COR das pessoas, porque um negro arrumado e bem vestido obviamente não despertará esse temor em NINGUÉM. Assim como um branco poderá ser vítima de preconceito facilmente, dependendo do seu comportamento, roupas, semblante etc.

É claro que generalizações instantâneas sempre vão ser injustas em uma parcela dos casos, mas elas são importantes para a nossa percepção da realidade e os policiais não têm culpa de que a maioria dos criminosos sejam negros (o que não tem nada a ver com a cor de pele, voltarei a esse ponto mais à frente).

Veja o número abaixo:

Brasil tem uma taxa de encarceramento de negros de 292 por cada 100 mil habitantes, enquanto que a de brancos é 191. (Fonte: Estudo da Secretaria Nacional da Juventude 2015 – órgão do governo federal)

Ou seja, de todos os encarcerados que temos no sistema penitenciário do Brasil 60% são negros.

Mas aí é que está. Existe uma propensão maior ao crime relacionada a cor de pele? Claro que não. Essa maior proporção de encarcerados tem a ver com um outro fato já mencionado: o fato de que eles são maioria absoluta entre os mais pobres e entre os residentes das localidades mais violentas.

Se os brancos, os amarelos, os azuis de bolinha verde ou quem quer que fosse estivesse na condição que os negros estão, seriam eles a maioria entre os presos. Não é uma questão de cor, é uma questão de circunstâncias. E justamente por falar nisso, surge a necessidade de tocar no segundo ponto da questão:

2) As mortes de negros por negros; parte da notícia que os entusiastas da tese do “racismo estrutural” omitem para não revelar que, na verdade, a maior parte dessas mortes (que eles divulgam tentando provar o suposto racismo dos brancos para como negros) são cometidas pelos próprios negros e não por brancos.

Não temos esse dado em relação ao Brasil, mas podemos pegar o exemplo dos EUA que vive uma divisão racial semelhante à nossa: em média, 94% dos negros assassinados nos EUA são assassinados por outros negros. (Fonte: Pesquisa Nacional de Vitimização de Crimes de 2010- EUA)

Ou seja, apenas 6% dos negros assassinados foram mortos por brancos. Se assassinato é sinônimo de racismo, então a comunidade negra é a mais racista de todas; e o pior: contra ela mesma – argumento que não faz o menor sentido. Quem mais promove o extermínio de negros hoje são os próprios negros, da mesma forma que no passado as tribos africanas entravam em guerra entre si e os vencedores (negros) vendiam os perdedores (também negros) como escravos na costa da África para outros povos. Por que os negros escravizavam uns aos outros no século XVI e por que, ainda hoje, eles estão se matando entre si desse jeito? É por racismo ou por uma circunstância social?

Dito tudo isso, chega o momento de concluir as considerações sobre o primeiro tipo de crenças que eu mencionei (a crença de que existe uma perseguição dos brancos contra os negros) e partir para o segundo tipo de crença: aquela que impede os negros de olharem para a única coisa que poderia ajudá-los a mudar essa situação.

Enquanto os movimentos sociais, que estão interessados apenas em explorar o sofrimento das pessoas politicamente, insistem em apontar na direção da confrontação com os brancos, nos protestos de rua, na criação de cotas, nas campanhas de conscientização e coisas inúteis do tipo, eu digo: FOQUEM TODOS OS SEUS ESFORÇOS NA LUTA PELA CONSTRUÇÃO DE UM SISTEMA DE EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE. Essa é a maior contribuição que vocês podem dar ao futuro dos negros.

Peguemos o caso do Distrito Federal como exemplo: lá, 78% dos estudantes negros estão em escolas públicas e 14% em escolas privadas. (Fonte: Censo Escolar de 2018 – INEP)

A educação pública é o MAIOR entrave que existe à ascensão dos mais pobres, que – como vimos – em sua maioria são negros. Enquanto os brancos são maioria entre as classes sociais mais altas e por isso dominam as escolas particulares (que têm um ensino melhor), os negros são maioria nas escolas públicas (as de pior qualidade) e isso impede que eles cheguem na fase adulta em igualdade de condições com os demais, aprisionando-os em um sistema onde a chance de subir na vida é quase zero. Não tem ninguém torcendo contra, não tem ninguém fazendo força para impedir a ascensão dos negros… isso é simplesmente fruto de uma circunstância relativa a um país onde NADA que é prestado pelo governo funciona e faz, obviamente, aqueles que mais precisam dos serviços públicos sofrerem – sejam negros ou brancos.

Caso a educação pública fosse nivelada e essa discrepância fosse resolvida pelo governo, em algum tempo teríamos uma proporção muito mais equilibrada de negros e brancos nas diferentes camadas sociais e, consequentemente, nas estatísticas de violência – tudo isso sem precisar de cotas, protestos ou campanhas de hashtag.

Ou seja, parem de dizer que os seus inimigos são os brancos! Cobrem do GOVERNO aquilo que ele deveria entregar ao povo e não entrega. Nós, brancos, não temos absolutamente NADA contra a ideia de que seja oferecida as melhores condições do mundo para os negros e pobres da rede pública. Inclusive, nós acharíamos isso MARAVILHOSO, não só pela questão humanitária, mas também social, uma vez que a melhoria de vida dos mais pobres seria muito benéfica para nós também, que sofreríamos menos com violência, que nos beneficiaríamos de uma economia com mais mão- de-obra especializada e capacitada contribuindo com o futuro do país etc.

É loucura pensar que a “elite” não quer que os negros subam na vida porque não aguentam dividir avião com eles, isso é discurso que o PT criou para nos dividir e só cai nessa quem é idiota. Até porque, basta estudar um pouquinho de economia para entender que essa ideia de que, para uns terem, é preciso que outros não tenham, é uma FALÁCIA TOTAL.

Vamos juntos construir um país melhor para todos e larguem essas divisões de uma vez por todas, porque vocês estão batendo no inimigo errado!

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
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1 COMMENT

  1. Meu caro Pedro, não seja utópico.
    Contar com uma rede pública de ensino com qualidade?
    Esta rede está totalmente contaminada por um corpo docente comunista!

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