Comportamento A escravidão acabou?

A escravidão acabou?

"Toda essa narrativa antirracista vai cair por terra e eles enfim poderão se libertar daquilo que mais escraviza um ser humano, seja de qual cor ele for: a mentalidade vitimista, a terceirização da culpa e a rejeição da verdade", revela Pedro Delfino em novo artigo

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Sim, acabou. Nos países ocidentais, onde muito se fala que há um “racismo estrutural”, não há mais escravidão, porque os próprios brancos fizeram surgir movimentos abolicionistas para conquistar a liberdade em prol dos negros. É bom lembrar que a abolição não foi uma luta dos negros, mas dos brancos, já que os negros, como escravos que eram, não podiam lutar por nada. Aqui no Brasil, os principais nomes do movimento abolicionista, por exemplo, foram: Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Dom Pedro II, Princesa Isabel, José Bonifácio, Eusébio de Queiroz, Visconde do Rio Branco… todos brancos! 

Os brancos lutaram por eles e conseguiram a liberdade que eles não tinham, sequer, na sua terra de origem. Digo isso porque, muitos ainda caem no erro de pensar que os negros estavam vivendo suas vidas alegremente na África, quando, de repente, apareceram europeus sanguinários para caçá-los e levá-los como escravos para a América.

Vocês já devem ter me ouvido falar muitas vezes sobre o fato de que os europeus, séculos atrás, não chegaram a escravizar um africano sequer, porque os escravos trazidos para a América eram escravizados por seus próprios conterrâneos, internamente, e vendidos na costa do continente a quem quisesse comprá-los. Esse fato histórico prova que a escravidão nunca foi uma questão racial, mas uma questão de disponibilidade. Os europeus não escravizaram os negros porque os consideravam merecedores de tal destino e sim porque eles estavam DISPONÍVEIS. Podiam ser os hindus, os chineses, os russos, os árabes… quem quer que fosse no lugar deles. 

Portanto, se existe algum culpado pela escravidão dos negros, esses são os próprios negros que escravizaram uns aos outros de início. Afinal, se esses escravos não tivessem vindo para a América, eles continuariam sendo escravos do mesmo jeito, só que na África! 

Com isso, já dá para perceber que a escravidão não foi mesmo uma questão racial. Até porque, respondendo à pergunta do título, há regiões do mundo (fora do Ocidente) onde AINDA HOJE a escravidão segue à todo vapor. E pasmem: a África é o lugar onde existem mais escravos atualmente. Ou seja, negros continuam escravizando negros em pleno século XXI!

O Global Slavery Index, uma plataforma administrada pela Walk Free Foundation (fundação que se propõe a expor e combater o trabalho escravo no mundo inteiro), examina as estatísticas de todos os países do mundo e as relaciona em um ranking das nações mais escravocratas da atualidade. E o resultado do ranking não poderia ser mais inconveniente à pauta antirracista: cerca de 3 milhões e meio de pessoas (mais especificamente 3.360.000) vivem sob um regime escravagista de trabalho forçado, ainda hoje, dentro do continente africano, onde negros são subjugados por outros negros. Alguém poderia dizer que eles fazem isso por racismo?

Para se ter uma ideia de proporção, esse número de escravos é mais do que o DOBRO, hoje, na África do século XXI, do que se tinha no Brasil em 1872 (ano do primeiro censo nacional, que contabilizou 1.530.000 escravos).

Por isso, é bom colocar algumas coisas em perspectiva: se os países ocidentais são racistas por terem praticado a escravidão, então os povos africanos são ainda mais racistas, já que, neles, a escravidão perdura até hoje, enquanto que, aqui, ela foi abolida há muitas gerações!

Além disso, os negros que vieram para a América como escravos, no passado, certamente sofreram muito… mas, a pergunta que eu faço é: eles teriam sofrido MENOS sendo escravos em território africano? Imagino que não mude muita coisa. 

Por outro lado, para os seus descendentes, que hoje reclamam disso e daquilo, certamente teve um lado positivo, pois, se não fosse por essa vinda forçada de seus antepassados para cá, essas pessoas que nascem hoje nos países de melhor qualidade de vida do mundo, estariam nascendo em meio à miséria africana, onde a pobreza é muito maior, onde a fome é muito maior, onde a violência é muito maior e onde o fantasma da escravidão persiste até hoje…

Estudar a história do mundo serve para nos proteger dessas narrativas tendenciosas e nos capacitar a pensar fora dessa caixinha imposta pela cultura da Luta de Classes. Por isso, vou contar um segredo para vocês: os negros foram escravizados no passado, sim, bem como os europeus também já foram, os judeus também já foram, os asiáticos também já foram, os índios também já foram, brancos, negros, amarelos, vermelhos, azuis de bolinha amarela… absolutamente TODOS os povos já foram feitos de escravo em algum momento da história humana, simplesmente porque é assim que as coisas funcionavam antes. Não tem nada a ver com a COR, com a raça, com a etnia. 

No dia em que os negros entenderem isso, toda essa narrativa antirracista vai cair por terra e eles enfim poderão se libertar daquilo que mais escraviza um ser humano, seja de qual cor ele for: a mentalidade vitimista, a terceirização da culpa e a rejeição da verdade.

Para se ter uma ideia, só entre 1530 e 1780, mais de 1 milhão de europeus brancos foram escravizados por traficantes norte-africanos negros, uma época marcada por abundante pirataria costeira no Mediterrâneo e no Atlântico. 

Ao contrário, porém, do que aconteceu com os negros, que foram escravizados pelos seus próprios e já eram escravos antes do primeiro contato com os europeus, os brancos da Europa não foram escravizados por outros brancos, mas também por negros africanos que os tiraram da condição de homens livres e os levaram à África para trabalho forçado. Portanto, se não fosse pelos europeus, os escravos trazidos para a América seriam igualmente escravos na África. Mas, a recíproca não é verdadeira: se não fosse pelos africanos, os escravos europeus seriam homens devidamente livres na Europa. O que torna a pouco falada escravidão de brancos por negros ainda pior do que foi a de negros por brancos!

Mesmo assim, não se vê nenhum movimento pedindo conscientização, reparação, pagamento de dívida histórica ou combate ao racismo estrutural voltado à minoria branca residente hoje na África. Sabem por quê?

Porque os países africanos, de imensa maioria negra, jamais se submeteriam a isso, se os brancos de lá tentassem emplacar uma narrativa forçada dessas. E nem deveriam mesmo. No entanto, aqui no Ocidente, os negros não apenas tentam, como conseguem e ainda contam a ajuda dos próprios brancos para isso. E, depois, os “racistas” ainda somos nós…

Fonte: https://www.globalslaveryindex.org/

Uma bibliografia mínima do assunto:

• White Slaves, African Masters: An Anthology of American Barbary Captivity Narratives – Paul Baeple
• Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast and Italy, 1500-1800 Robert C. Davis
• Black Slaveowners: Free Black Slave Masters in South Carolina, 1790-1860 – Larry Koger
• Islam’s Black Slaves: The Other Black Diaspora – Ronald Segal
• Histoire de l’Afrique – Bernard Lugan
• Quand les Noirs avaient des esclaves blancs – Serge Bilé
• A enxada e a lança: a África antes dos Portugueses – Alberto da Costa e Silva
• A manilha e o Libambo: A África e a Escravidao, de 1500 a 1700 – Alberto da Costa e Silva

e: 

IBGE. Brasil 500 anos. Disponível em: http://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-ovoamento/negros/populacao-negra-no-brasil

Pedro Delfino é especialista em História da Civilização Ocidental e História da Igreja Católica; autor do livro Mentalidade Atrasada, Nação Fracassada (que aborda temas como História, Filosofia e Política); do Curso de História Geral da Civilização Ocidental, do Curso de Excelência Catholica, do livro Via Sancta e é co-Fundador do Movimento Brasil Conservador.
contato: Canal no Telegram / Instagram @phdelfino / E-mail: contato@phdelfino.com



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