Colunistas Você não se arrepende do que fez

Você não se arrepende do que fez

Relatos de um salvamento

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Algumas pessoas me acompanham e já conhecem a nossa iniciativa de um grupo de corrida às terça e quinta no Parque da Cidade, em Brasília. Como de costume hoje estivemos no parque, tem sido uma grande experiência e uma grande troca entre todos envolvidos. Algumas pessoas me perguntam sobre a motivação deste grupo de corrida e eu respondo que há 1 ano atrás eu estava muito sedentário, algo bem comum na vida de muitos profissionais na área de TI (tecnologia da informação) e inovação. Percebi que deveria influenciar este público à uma busca por uma vida mais saudável.

No nosso grupo não temos nenhum profissional de educação física ou da área da saúde, somos amadores bem intencionados. Como sempre falo, nós somos o “Hábito”, creio que seja um forma simples de explicar o que temos feito.

Desde ligar e acordar os interessados, a dar uma carona de ida e volta para o treino. A prática de exercício físico sem dúvidas é super importante, o social também, mas o principal fator deste jogo é o hábito, sem medo de errar.

Hoje após uma bela corrida com duas belas amigas, aproveitamos para nos hidratar com uma refrescante água de coco bem gelada e trocar muitas experiências. Ao decidirmos ir embora, pedimos um Uber cada um e seguimos viagem, rumo aos nossos compromissos.

Preparei um café da manhã ao chegar em casa, tomei banho e sai de Uber novamente para uma reunião no SIA, onde me reuni com dois diretores da associação que sou presidente. Após almoçarmos uma comida caseira abençoada, alinhamos vários pontos, processamos várias coisas e ao finalizar a reunião, mais um vez eu teria um encontro com o bendito Uber.

Eu sinceramente requisitei mais o Uber no dia de hoje do que qualquer outra pessoa ou coisa. Aproveitei para me deslocar a pé até um posto de gasolina nas proximidades com intuito de ser mais eficiente. Solicitei e o motorista informou que estava na conveniência, procurei, procurei e não achei. Logo em seguida o bendito Uber apareceu.


POSTO SHELL ONDE PEGUEI O UBER

O motorista me perguntou para onde eu ia e informei que iria ao CONIC, no centro de Brasília. Ele feliz da vida mencionou que estava querendo ir para lá, ou seja, o cara recebeu uma demanda de serviço meio que delivery de passageiro, tendo em vista que eu me desloquei até ele e ainda financiei a ida dele pro destino que ele queria, que dia eficiente para este rapaz.

Ao entrar no Sudoeste o motorista me indagou sobre o que eu fazia, ou melhor, com que eu trabalhava e mencionei que estava desenvolvendo um novo negócio e que trabalhava com novas tecnologias e etc.. Ao entrar no Parque da cidade, o GPS nos indicou o trajeto que passaria pela frente do Pavilhão do Parque da cidade, se você não mora em Brasília, ele é um centro de convenções bem grande, que fica dentro da cidade, ou melhor, no parque que eu corro fielmente todas as terças e quintas às 6:30 da manhã. Bom conheço bem este lugar!


Local exato

Voltando para rota o GPS indicou que virássemos à esquerda sentido Pavilhão do Parque, achei estranho o trajeto porque estava meio que engarrafado e o Waze geralmente sugeriria um trajeto alternativo nestas situações. Em seguida o motorista exclamou:

Acho que aconteceu um acidente, parece um motociclista!

Mais a frente, eu também o identifiquei e percebi que era na verdade um ciclista e havia pelo menos 3 pessoas ao redor dele.

Posterior com clareza percebemos que estavam tentando reanima-lo passando pelo retorno me senti bem desconfortável com a situação.

Na minha cabeça veio:

o que eu devo fazer..?? o que eu devo fazer??? Eu tenho que trabalhar, este motorista de uber ja queria esta no centro da cidade… paro ou não paro?

Resolvi pedir para o motorista do uber parar o carro e que descemos do carro…


Eu tive a preocupação de não expor absolutamente ninguém, não faria isso nem por dinheiro!

Havia um fisioterapeuta em ação tentando reanimar um homem de uns 40 à 45 anos, de 1,80, careca acima do peso. Ele deveria ter uns 115kg, enquanto o profissional da saúde, o cara mais habilitado para aquela situação fazia o RCP (Reanimação Cárdio Pulmonar), o que me restava era orar pelo homem, infelizmente era única coisas que me senti útil à fazer.

Chegaram novas pessoas e inclusive um pessoal com um Oxímentro digital, que foi acoplado ao dedo do homem com objetivo de verificar o sinais vitais. Momentos muito angustiantes esses primeiro 5 minutos.

O Profissional da saúde que tinha um estetoscópio, fazia massagem cardíaca e monitorava os sinais vitais, sem resposta. Me ofereci para fazer massagem cardíaca naquele homem, como se fosse meu pai ou um grande amigo meu que poderia ter filhos, eu tive muita empatia naquele momento, estava pré destinado a reverter aquela situação.

Ouvimos a sirenes de uma ambulância privada, troquei de posição com o profissional da saúde que infelizmente não consegui identificar o nome dele até agora, e resolvi parar o trânsito para que esta ambulância ou quem quer que estivesse lá dentro pudesse ajudar esse homem o mais rápido possível.

Inicialmente todos queriam algo para ventilar o homem, mas esta ambulância por algum motivo não tinha este equipamento. Enquanto este homem lutava entre a vida e a morte muitos carros e pessoas passavam, seguindo suas vidas como se nada estivesse acontecendo.

A primeira pessoa à atender o homem foi uma mulher que passsava de carro que me descreveu o que aconteceu, nos minutos iniciais:

Eu estava dirigindo e percebi que um ciclista diminuiu a velociadade como estivesse passando mal e logo depois caiu na direção do meio fio. Ele retirou o capacete e pareceu estar passsando mal. Um homem de roupa branca chegou em seguida e percebeu que ele poderia estar tendo um infarto e iniciou um processo de reanimação.

Retomando aos minutos iniciais, uma mulher (deveria ser uma enfermeira) que estava na ambulância privada sacou um soro, possivelmente com adrenalina na tentativa de reanimar o homem, simultaneamente chegaram 2x motociclistas do SAMU, os cara pareciam super heróis chegando. Me deu uma sensação de alívio e esperança simultaneamente.

Estes paramédicos (Creio que seja assim o nome) sacaram um desfibrilador que estava exatamente naquela baú que toda moto possui, um equipamento super tecnológico, curiosamente eu tive a preocupação de descobrir o valor deste abençoado aparelho, que na internet custa por volta de uns R$7.000,00.


Tentativa de reanimar o homem

Ajudamos a cortar a camisa do homem e eles acoplaram as placas que transfeririam a carga elétrica com objetivo de reanimar o homem.

Impressionante o quão tecnológico era este equipamento, praticamente ele conduzia o procedimento todo, de tal forma que ele orientou:

faça isso, não faça aquilo, pare de realizar tal procedimento, pare o RCP (Reanimação Cárdio Pulmonar), preciso verificar os sinais vitais do paciente.

Chegaram mais reforços, homens do corpo de bombeiro que também tentariam ajudar nesta missão.

Naquela altura do campeonato bateu uma energia muito ruim, pois até aquele momento as coisas não haviam melhorado. Sugeriram que as pessoas saíssem e que deixasse os profissionais trabalhassem, o que me despertou a consciência que não poderia fazer absolutamente mais nada.

Já estive de frente com a morte, algumas vezes, seja, me afogando em um mar revolto, batendo o carro e dando PT, ou capotando um carro de Rally, já perdi muitos parentes, inclusive de forma precoce. Parecia que mundo estava me preparando em mostrar que a morte é algo mais comum e presente.

A minha reflexão é que hoje pela primeira vez a morte me deu a chance de uma intervenção e quão importante é um profissional da saúde e as novas tecnologias (Heathtechs) e que por mais que esteja conduzindo uma iniciativa (Corrida) com muito boa vontade, que preciso me capacitar para eventuais surpresas, me senti no dever de me capacitar em primeiros socorros. Hoje me senti um inútil e um super homem em vários momentos. Além disso, vivenciei e presenciei um senso de humanidade incrível por diversas pessoas e uma insensibilidade tremenda por outras, o mundo não escolhe hora e data para as coisas acontecerem, você pode estar preparado ou não, para o que esta por vir.

Eu particularmente não me arrependo de ter parado, possivelmente me arrependeria em pensar que não tente fazer absolutamente nada, não tenho informações sobre o que aconteceu com aquele cidadão, mas naqueles minutos que passamos ali juntos com ele, eu tenho certeza que estive inteiro e que não tenho do que me arrepender de algo que não tenha feito.

Como pode no mesmo dia e lugar vivenciar coisas tão extremas?

Resolvi compartilhar esta experiência, pois gostaria de ser tratado da mesma forma, caso estivesse passado por algo similar ou qualquer parente ou amigo querido.

Hugo Giallanza (Colunista) Presidente da ASTEPS – Empreendedor com missão de deixar um legado para humanidade

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