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Toy Story – Muito além de um brinquedo de criança

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Em 1995, um desenho da Pixar, empresa estreante no ramo cinematográfico, causou comoção no público adulto com uma mensagem madura e inovadora dentro da indústria da animação.

Seus personagens principais liderados pelo cowboy Woody, eram brinquedos alegres que encontravam pleno sentido na própria existência ao cumprir o papel designado a eles: divertir e agradar o seu dono, o menino Andy de dez anos. Da mesma forma, o pioneirismo de Toy Story e do seu criador John Lasseter, estava dedicado a encantar milhões de crianças e provar que a maior recompensa de servir ao próximo é ver a felicidade manifestada nele.

Mas havia também um personagem com um olhar voltado para o infinito e além. Buzz Lightyear era um brinquedo moderno que anunciava uma nova era. O boneco acreditava ser um combatente intergaláctico de verdade, que protegia o mundo contra os poderes do mal.

Sua convicção sobre a natureza heroica o posicionava em destaque e logo ele assumiu o posto de preferido para o menino Andy, causando ciúme e admiração nos outros brinquedos.

A frustração de Buzz ao saber que era apenas um brinquedo e não conseguia voar como imaginava, era uma situação que não caberia num roteiro de desenho infantil até aquela época.

E foi exatamente esse drama pessoal que cativou também os adultos, pelo simbolismo tão forte com o crescimento e a inevitável passagem da ilusão para a realidade. Buzz descobriu que suas aventuras espaciais não passavam de sonhos, que ele não era especial mas apenas um dentro de milhões produzidos iguais a ele, e que sua razão de existir era determinada apenas em agradar ao seu dono. Isso fez ele entrar numa crise comum a muitos adultos que crescem alimentados por ideais grandiosos e de repente se deparam com as limitações humanas naturais. Descobrir-se dentro dessa transição é uma tarefa árdua que sempre gera conflitos.

Buzz é apoiado pelo seu adversário inicial, o ex-preferido boneco de Andy. É o xerife Woody, o responsável pela revelação da verdadeira natureza de Buzz e pela surpreendente constatação que ser um brinquedo do Andy pode ser bem melhor do que fazer parte do Comando Estelar.

Eles descobrem, mergulhados numa verdadeira amizade, algo muito maior do que qualquer sonho de infância ou ilusão da vida. Diante das impossibilidades a melhor escolha é alegrar um amigo. Nas palavras de Buzz, se não posso voar pelo menos valorizo o “cair com estilo”.

Com essa mensagem poderosa sobre identidade e amizade, Toy Story deixou de ser apenas uma estória sobre brinquedos voltada ao público infantil. A Pixar mirou o infinito e além e revolucionou a linguagem da animação quando decidiu levar a sério seu propósito de entretenimento. Recusou os contos de fada e as fábulas fantasiosas para adentrar no mundo real de valores, princípios e imperfeições humanas que inclui crianças e adultos amadurecendo em conjunto. Esse novo mundo projeta para os pequenos a mesma dignidade que eles vão exigir quando adultos. Cegonhas não carregam bebês mas podem transportar peixes-pai-palhaço excessivamente preocupados com o destino dos filhos, como vemos em Procurando Nemo, outro sucesso da Pixar, que hoje compõe o conglomerado Disney. A diversão sincera em família dos 3 primeiros filmes da franquia promete se repetir em Toy Story 4 que estreia no próximo dia 20 de junho nos cinemas.

Edson Oliveira (Colunista) É pastor, analista de sistemas, cinéfilo e receita bulas de filmes no site http://cineterapia.com.br

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