Setembro Amarelo: Mitos e verdades sobre o suicídio

O que é verdade e o que é mito sobre o suicídio

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Nesse mês de setembro há uma grande mobilização em torno da campanha de prevenção ao suicídio. Portanto, é necessário entendermos o que é realmente verdade e o que é mito em relação a esse tema. Quanto mais informados corretamente formos, melhor conseguiremos prevenir e lidar com as pessoas que estão pensando e tentando tirar a própria vida.

Mitos

Perguntar sobre pensamentos suicidas podem estimular o ato?

Pelo contrário, perguntar sobre esse tema pode fortalecer o vínculo com a pessoa, que se sente mais acolhida. Dessa forma ela pode obter alívio e até mesmo desistir da ideia. Perguntas como “como são seus pensamentos de morte?”, “quando esses pensamentos se iniciaram?”, “consegue afastar esses pensamentos de alguma forma?”, “encontra razões para continuar vivo?”, “já pensou em uma forma de se matar?”, são algumas sugestões de abordar o tema.

Quem pensa em se matar vai tentar de qualquer jeito?

É importante ressaltar que as pessoas que pensam em suicídio geralmente estão ambivalentes quanto a viver ou morrer. Muitas delas quando recebem apoio emocional e social acabam desistindo da ideia de se matar.

Os jovens tendem a usar métodos mais letais que os idosos quando tentam o suicídio?

Na verdade, ocorre o contrário. Os idosos têm maior planejamento, determinação, menos sinais de alerta e disponibilidade de medicamentos – tudo isso colabora na efetividade do ato.

Depois que se começa o tratamento medicamentoso, os familiares podem ficar mais tranqüilos em relação ao potencial suicida?

Precisamos entender que o suicídio é um ato que requer capacidade de iniciativa e organização. Muitas vezes, a pessoa está pensando em se matar, mas está tão mal que nem consegue pensar como. Quando os remédios começam a fazer efeito, se tem mais ânimo (inclusive para pensar em formas de se matar). A atenção deve ser redobrada nesse momento da primeira melhora.

O antidepressivo vicia?

Esse é o grande temor que leva muita gente a não aderir ao tratamento medicamentoso. No entanto, os antidepressivos não viciam. Não há o efeito de tolerância e nem de abstinência que ocorre nas dependências químicas.

Verdades

Quem tenta se matar o faz não porque não quer mais viver, mas porque quer acabar com o seu sofrimento?

A grande maioria das pessoas que tenta se matar quer viver. No entanto, enfrentam grande sofrimento emocional, que se torna insuportável. Então essas pessoas acabam vendo no suicídio a resposta para o alívio desse sofrimento: então não é um ato de coragem ou covardia, mas de intensa aflição.

A impulsividade é um grande fator de risco para o suicídio?

Pessoas impulsivas tendem a agir antes de pensar adequadamente a respeito. Por isso podem cometer um ato extremos após de uma grande decepção ou frustração, por exemplo.

Deve-se perguntar qual o efeito que o suicídio ocasionará nas pessoas que ama?

Uma das boas razões para não se matar é justamente mostrar ao suicida o quanto a sua morte afetará as pessoas a quem ama.

Homens solteiros, divorciados ou viúvos têm uma taxa de depressão e tentativas de suicídio maior que os casados?

Sim, várias pesquisas apontam que o casamento, especialmente para o homem, é um fator de proteção contra a depressão e suicídio.

O tipo de depressão que mais ocasiona tentativas de suicídio é aquela causada pelo estresse?

O estresse diminui o nível de serotonina, e a baixa serotonina aumenta a agressividade; e essa alta agressividade pode ser dirigida contra si mesmo. Por isso é muito importante viver uma vida leve e gratificante, de forma que o estresse não seja algo contínuo. No exato momento em que achar que não tem tempo para relaxar, este é o momento em que mais precisa encontrar tempo para relaxar.

Espalhe esse texto para as pessoas e vamos ajudar a prevenir o suicídio em nosso país! 

Otávio Guimarães (Colunista) É psicólogo e psicoterapeuta. Ajuda pessoas a se encontrarem na vida e obterem dela mais satisfação.
Instagram: @psiotavioguimaraes