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Por que as pessoas têm medo do óbvio?

A maior das empresas não tem tanto poder quanto o menor dos estados

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Existem algumas verdades que, de tão óbvias, é difícil entender como não são mais populares ou mais difundidas. Uma delas é a seguinte: a maior e mais malvada empresa é mais inofensiva e tem menos poder para prejudicar você do que o menor estado. Por exemplo, em nenhum lugar do mundo uma empresa vai conseguir impor o uso do seu produto à população, pelo menos sem comprar meia dúzia de pessoas do governo antes. Não importa o tamanho da empresa, mesmo gigantesca, ela não têm o poder que qualquer parcela de um estado tem.

Por outro lado, até mesmo os governos das menores cidades têm o poder de obrigar você a usar máscaras ao sair às ruas ou de proibir sua família de usar sacolas plásticas ou canudos. No mundo inteiro, muitos estão aprendendo em primeira mão o que deveria ser óbvio: a maior das empresas não tem tanto poder quanto o menor dos estados. Ainda assim, para muitos é difícil de aceitar essa verdade, principalmente porque são bombardeados o tempo inteiro com a narrativa oposta que tem como premissa a ideia de que empresas superpoderosas são responsáveis pelos problemas da sociedade, ou que serão causadoras do fim do mundo.

Essa narrativa oposta tem como premissa o seguinte pensamento: como as empresas podem ser perigosas para a sociedade, elas precisam ser controladas pelo estado. Essa narrativa não é nova, na realidade. Ela é mais antiga e vem de uma ideia mais simples e conhecida: como o “homem é o lobo do homem”, os homens devem se submeter a uma instituição chamada estado com poder para domesticá-los. Resumindo, como seu vizinho pode oferecer algum tipo de perigo, você deve dar poderes ao estado para ele resolver qualquer problema que seu vizinho causar (sem considerar que você é o vizinho de alguém também). Muitos que se entregam a essa ideia não consideram que um governo com poder para dar tudo que eles querem é um governo com poder para tirar tudo que eles têm.

O fato é que se houver algum candidato com potencial para criar problemas e acabar com nossas liberdades, ele é o estado, e não as partes que o instituíram e o compõem. E como eu já disse, isso é óbvio. Quando o governo da menor cidade obriga o McDonald’s a interromper suas atividades, o McDonald’s interrompe. Quando o estado mais fraco manda a Apple fechar suas fábricas, a Apple fecha. Quando o país mais pobre diz que todas petroleiras devem se retirar do seu território, elas saem. Nunca acontece o contrário, só quando há participação do próprio estado.

O mesmo acontece com as pessoas. Se o estado proíbe você de usar armas, você é punido se for pego com uma. Mas quando o estado não impede que sua casa seja assaltada, ele não sofre nenhuma sanção por isso. Se o estado proíbe você de trabalhar durante a crise, você é obrigado a ficar em casa. Mas quando a decisão do estado faz com que sua família passe fome, ele não paga por isso. Ou seja, a diferença de poderes entre o estado e qualquer parte sujeita aos seus desmandos, seja uma empresa, seja uma família, seja um cidadão, é extremamente desproporcional.

E tudo isso é tão óbvio que os inimigos da liberdade montaram um verdadeiro sistema para convencer as pessoas do contrário: de que elas são perigosas e que precisam aceitar o controle estatal. De que devem entregar até mesmo o seu direito de trabalhar e de conduzir seus negócios. Esse sistema busca prender as pessoas em uma prisão virtual onde apenas essa narrativa é aceita. O sujeito acorda e lê no jornal que está tudo um caos e que o governo precisa ter poder para resolver tudo com alguma mágica. Então ele vai à escola e os professores repetem como as empresas são perigosas e que só um governo poderoso pode proteger a sociedade delas. E quando chega em casa, ele se depara com filmes e séries onde os vilões são empresas malvadas e empresários gananciosos que querem dominar o mundo.

É tudo tão bem amarrado que o sujeito não percebe que está numa espécie de cativeiro. Essa prisão consegue se apresentar de forma tão sutil e espontânea que ele nem pensa em escapar. E quando acorda e tenta fugir, o sistema o ameaça e o persegue (como aconteceu recentemente com vários jornalistas e formadores de opinião de direita no Brasil). Claro, quando assumimos que essa prisão existe, surgem duas perguntas, que responderei nos próximos artigos. A primeira pergunta é: como essa prisão se manifesta? Ou seja, que expressões denunciam a existência dessa prisão? A segunda pergunta, mais importante, é: quem promove e financia a implantação dessa prisão e por qual razão? Deixe nos comentários sua opinião e até o próximo artigo.

Henrique Guilherme (Colunista) É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.

E-mail: henrique.guilherme@relevante.news

Henrique Guilherme
É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.
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