Colunistas Os Futuros Ex em Atividade

Os Futuros Ex em Atividade

"Com as recentes manifestações de 14 de março, ficou claro de que lado a população está; e a escolha de prefeitos e governadores em continuar contra a vontade do povo faz destes políticos apenas “futuros-ex” em exercício", revela Henrique Gustavo em novo artigo

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É inegável que o copo está próximo de transbordar. Populações de diversas cidades estão no seu limite em aceitar determinações municipais que ceifam suas liberdades constitucionais através de arbitrariedades de governos estaduais. O grande problema (para esses prefeitos e governadores, claro) é que a população está percebendo que, de forma pacífica, isto talvez não seja possível de resolver.

Em Santos, litoral de São Paulo, por exemplo, cidade em que o prefeito Rogério Santos (PSDB) aceita sem questionar as determinações do governador João Dória, do mesmo partido, está notoriamente crescendo o descontentamento com as medidas restritivas, que são incompatíveis com a situação que os moradores da cidade enfrentam.

Para agravar a situação, a prefeitura tem divulgado informações controversas sobre a ocupação de leitos de UTI da cidade em seus boletins oficiais.

Como pode ser visto, em 3 de fevereiro o boletim informava 67 pacientes em UTI por sintomas de COVID-19, correspondendo a 43% das ocupações dos leitos. Entretanto, um mês depois – bem quando o governador e aliado de partido João Dória avisou que aumentaria as restrições – a ocupação dos leitos em UTI saltou para 61%, ao mesmo tempo em que o número de pacientes internados por COVID-19 havia diminuído para 66.

Claro que isso gerou questionamentos: se estavam fechando leitos para aumentar artificialmente a taxa de ocupação, se estavam falando apenas de pacientes da cidade ou se estavam incluindo pacientes de outros municípios atendidos em Santos. Em resposta, a prefeitura disse que lamentava que sua transparência fosse colocada em dúvida com a divulgação dos dados e reforçou que não deixaria de tomar medidas mais restritivas se necessário. Ou seja, os cidadãos de Santos não têm mais o direito de questionar!

Pelas dúvidas geradas pela divulgação das informações, a população cobrou mais transparência nas redes sociais. Empresários lesados pelas restrições e a população que estava fazendo sua parte não acharam justo a imposição de novas restrições para a região se os leitos ocupados por casos graves não eram de contaminações locais. A situação gerou ainda mais dúvidas quando cidadãos da cidade divulgaram que Santos estava recebendo pacientes de São Bernardo do Campo – também controlada pelo PSDB – para que o número de leitos ocupados por casos graves de COVID-19 ficasse artificialmente mais alto.

A prefeitura deu a resposta padrão que todo governante questionado tem dado: disse que isso era fakenews. Porém, confirmou que há financiamento do governo estadual para que alguns leitos do município serem destinados ao atendimento de pacientes de outras cidades do estado. E é justamente por isso que a população de Santos ficou indignada com as decisões acovardadas de seu prefeito. Após cobranças de maior detalhamento dos dados nos boletins informados, a prefeitura passou a informar os casos locais e os quem vinham de fora.

Em um dos boletins mais recentes da prefeitura (15 de março), foi divulgado que havia 202 internações por sintomas de COVID-19, sendo que 96 encontravam-se em UTI. Também foi informado que a ocupação de UTI com pacientes com COVID-19 está em 72%. O boletim reforça que as “informações se referem a residentes de Santos até 15/03.”. O problema é que isso se chama meia verdade…. Realmente existem 96 santistas com COVID-19 ocupando as UTIs, mas isto corresponde a apenas 32,5% dos leitos. Para se chegar à ocupação de 72% é necessário incluir no cálculo outros 115 pacientes de outras cidades – totalizando 211 dos 295 leitos disponíveis. Ou seja, menos da metade são contaminações no próprio município. A quem interessa essa desinformação em um boletim oficial da cidade?

E note que a população santista não tem problema em receber e ajudar pacientes de outros municípios, ainda mais por dispor de leitos. Santos é uma cidade acolhedora e se orgulha disso. O que não se pode admitir é o prefeito justificar o fechamento de restaurantes, salões de beleza, academias, escolas e tudo o mais, sendo que a cidade em si, seus moradores, não são os que estão deixando o número de ocupações nem próximo dos 50% (como foi visto, a ocupação de leitos por santistas seria de apenas 32,5%).

Não bastando as restrições e fechamento do comércio e de diversas outras atividades, a orla da praia também foi isolada com uma espécie de rede. Em resumo, mesmo com baixíssimo número de internados por COVID-19, a prefeitura tem punido os santistas com restrições absurdas, tirando deles a possibilidade de trabalho, de ganhar o pão, e ainda proibindo-os de usar a orla, dificultando a prática de atividades físicas e de exposição ao sol, fatores já comprovados na redução do impacto de diversas doenças. Bom, se o objetivo é aumentar artificialmente o número de contaminados na própria cidade, o prefeito está no caminho certo; resta saber se a população estará disposta (na verdade, até quando) a aguardar pacificamente a destruição econômica do município.

Outras cidades do litoral também demonstram que seus moradores já não aguentam mais o tolhimento dos seus direitos, especialmente o da liberdade de trabalhar. Em Praia Grande, cidade da prefeita Raquel Chini, também do PSDB, um empresário postou um vídeo lamentando a situação e cobrando mais atitude da população para poder voltar ao trabalho.

O vídeo viralizou quando uma repórter disse que as falas do cidadão poderiam ofender os políticos acovardados que tomaram essas decisões; porém, no próprio vídeo o homem lembra que quem deveria obedecer a vontade do povo são eles, os prefeitos e vereadores, e não o povo se curvar a qualquer capricho ditatorial de seus governantes.

A cada decisão que contraria o povo apenas para mostrar uma obediência obscena ao governador, se torna cada vez mais perceptível a sensação de que esses políticos são apenas futuros “ex”, já que eles têm tomado semanalmente decisões que contrariam a vontade da população. Agindo assim, eles se colocam cada vez mais como candidatos que jamais serão reeleitos.

Veja esse vídeo:

Atitudes como a da população de Governador Valadares (MG), que fez uma parede humana para impedir o fechamento de uma loja em que o dono resolveu exercer seu direito constitucional de abri-lá, deverão se tornar frequentes se estas restrições continuarem.

O oposto também ocorre, como aconteceu em Marília no início de fevereiro, em que o prefeito Daniel Alonso citou motivos econômicos para a chamada “quebra de regra do bem” e São José dos Campos, do prefeito Felício Ramuth (ambos do PSDB) que no início de março havia conseguido na justiça autorização para deixar a fase vermelha. Goste ou não, estas duas prefeituras fizeram os munícipes entenderem que eles querem que os seus direitos básicos sejam preservados. Ou seja, fogem da regra de se apresentarem como “ex em exercício”. Eles perceberam a total rejeição do povo aos governadores que têm se portado como pequenos tiranos que acham que chegaram em seus cargos por acaso, e não pelo voto popular.

O que fica claro é que a população entende o problema e os riscos da doença, mas que não aceita ficar em casa na dependência do estado, uma situação que vem se desenhando nitidamente e alguns preferem não enxergar. Viver sem trabalhar, de auxílios e cestas, enquanto o governo fala o que se pode e o que não se pode fazer, não é o que um povo trabalhador deseja, não é o que o segundo povo mais empreendedor do mundo quer. O brasileiro quer trabalhar e se seus governantes não acreditam nisso. A meu ver, eles estão pagando para ver uma reação que não estarão preparados para lidar.

A decisão – inconstitucional – do toque de recolher de madrugada no estado de São Paulo é claramente uma das mais desesperadas tentativas de quebrar de vez a economia, pois grande parte dos abastecimentos em mercados, feiras e restaurantes acontece justamente nesse período. Isso acelerará a quebra de muitos pequenos empresários, bem como irá gerar crises de desabastecimento que só agravarão a situação. Em outras palavras, cada vez mais fica claro que João Doria é um futuro ex-governador em atividade. E ele sabe disso!

E no seu município? Existem manifestações para a volta do direito de trabalhar, de se exercitar, de simplesmente ir e vir? Existe um futuro ex-prefeito? E algum vereador que vem batendo de frente pelos seus direitos?

Henrique Gustavo (Colunista) É administrador de empresas e trabalha no setor farmacêutico. Também é hipnoterapeuta e pensador. Nas horas vagas, estuda o setor financeiro, ajuda pessoas com problemas e passa tempo com a família.


Henrique Gustavo
É administrador de empresas e trabalha no setor farmacêutico. Também é hipnoterapeuta e pensador. Nas horas vagas, estuda o setor financeiro, ajuda pessoas com problemas e passa tempo com a família.

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