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O cristianismo é de direita ou de esquerda?

A importância dos valores cristãos na defesa da vida, da liberdade e da propriedade

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Uma das questões mais interessantes da política é: qual o posicionamento político do cristianismo? Creio que muita gente já se pegou filosofando se o cristianismo é de direita ou de esquerda. Contudo, há dois obstáculos para que se entenda a resposta dessa pergunta. O primeiro é que muita gente ainda acha que não existe direita e esquerda. Existem muitas pessoas que rejeitam a ideia de que o posicionamento político possa ser classificado em uma linha com dois extremos, sendo um representado pela defesa intransigente da liberdade e outro representado pela imposição da igualdade. O segundo obstáculo é que muitas das pessoas que reconhecem a existência desses lados não fazem ideia do que cada um deles representa. Ou pior, têm concepções completamente equivocadas sobre eles.

Então, neste artigo vou esclarecer de forma rápida o que é a direita e o que é a esquerda antes de responder àquela primeira pergunta: afinal, o cristianismo é de direita ou de esquerda?

Basicamente, a direita envolve a defesa da vida, da liberdade e da propriedade, em detrimento de qualquer tentativa artificial de tornar o mundo mais igual ou desigual. No pensamento de direita, a sua liberdade e o seu domínio sobre sua propriedade não podem ser relativizados em nome de um “bem maior”. Assim, não há espaço para utilitarismo ou relativismo moral no pensamento de direita. Por exemplo, quem é de direita geralmente é a favor do comércio de armas não porque as estatísticas dizem que é mais seguro ter uma arma ou que lugares com maior número de armas sofrem menos com criminalidade, mas porque considera que a liberdade de se defender individualmente é importante demais para ser perdida. Para ele, pouco importa se a sociedade vai ficar mais ou menos segura com o comércio de armas. O que realmente importa é se o direito das pessoas de se armarem, de se protegerem ou de terem armas pelo simples fato de gostarem está sendo respeitado.

O pensamento de esquerda, por sua vez, vai na direção oposta. Para a esquerda, o que importa é a imposição da igualdade material entre as pessoas. Não importa para quem é de esquerda se, para a manifestação dessa utopia da igualdade, o seu direito de usar sacolas plásticas, explorar sua propriedade ou educar seus próprios filhos será atropelado. O que importa mesmo é se aquilo que está sendo proposto vai tornar as pessoas mais iguais ou, como eles gostam de dizer, “diminuir as desigualdades”. Alguns são mais ou menos conscientes de que as pessoas não são iguais e muitas nem querem ser iguais. Isso significa que, em muitos casos, eles são conscientes de que as pessoas não vão aderir voluntariamente a um projeto que visa torná-las iguais umas às outras. Mas, conscientes ou não, todos acabam concordando com a violação dos direitos individuais sempre que eles se colocam no caminho da igualdade.

Desse modo, é comum classificar como posicionamentos de direita a militância contra o aborto, a defesa do porte de armas, a defesa do livre mercado e a redução do poder do estado. Já posicionamentos normalmente defendidos pela esquerda são a legalização do aborto, o controle do comércio, a redistribuição de renda e o apoio a qualquer política ambiental. Há uma coerência nas agendas de cada lado: na direita, a defesa da vida, da liberdade e da propriedade; na esquerda, o fortalecimento do estado para a imposição material da igualdade.

Ou seja, é difícil negar que existe uma direita e uma esquerda que dividem a política em lados bem definidos, com agendas próprias e coerentes com seus respectivos princípios. Mesmo aqueles que acham essa classificação ultrapassada acabam sendo obrigados a usá-la no dia a dia ao falar sobre política. É até engraçado como aquelas mesmas pessoas que até algum tempo atrás juravam que direita e esquerda eram conceitos ultrapassados, hoje não têm nenhum problema em dizer que Bolsonaro, Damares e Abraham Weintraub são legítimos representantes da direita. Ou como aqueles que ainda negam essa classificação não têm nenhum problema em elogiar políticas de esquerda e demonizar as de direita. Portanto, uma vez que se reconheça que existe uma direita e uma esquerda e que elas têm princípios e valores próprios, podemos responder àquela pergunta: em qual dos lados o cristianismo está?

O cristianismo é de direita e não poderia ser diferente. Na realidade, é a direita que é cristã. O conceito de uma direita centrada na defesa da vida, da liberdade e da propriedade deriva justamente dos valores cristãos que definiram o pensamento político ocidental nos últimos três séculos. De fato, quando Deus determinou “Não roubarás”, Ele consolidou uma das bases desse pensamento. O direito de propriedade não é apenas uma norma legal para o cristão: ele é um mandamento imposto por Deus. Deus não determinou “Não roubarás, exceto quando a propriedade não cumprir sua função social”. Ele nos mandou não roubar e ponto. Quer dizer, as propriedades dos nossos próximos não estão disponíveis para fazer caridade ou políticas de distribuição de renda caso eles não estejam dando uma “função social” para elas. Esse é um princípio cristão que está na base do pensamento de direita.

De igual modo, o “Não matarás” é uma das bases do direito à vida que é hoje defendido por grupos de direita. Mas também quando Deus nos convida a adorar somente a Ele e não ter outros deuses, Ele está de certa forma protegendo nossa vida. Por exemplo, em 2017, um bebê chamado Charles Gard estava internado com uma doença grave em um hospital público no Reino Unido. Em 11 de abril daquele ano, um tribunal determinou que os aparelhos que o mantinham vivo fossem desligados, alegando que a doença não tinha cura e que mantê-lo vivo seria caro. Os pais do garoto, desesperados, conseguiram levantar recursos para custear um tratamento alternativo nos Estados Unidos, mas as autoridades do Reino Unido não permitiram.

Isso é o que acontece quando se coloca o estado no lugar de Deus. O casal Gard teve que acompanhar seu filho morrendo lentamente porque os britânicos trataram o estado como um deus e deram a ele o direito sobre a vida e a morte. O bebê morreu com menos de um ano de idade, em 28 de julho de 2017, com o desligamento dos últimos aparelhos, sob protestos de grupos de direita já acostumados a militar contra o aborto e outros absurdos cometidos pelo estado.

Existem vários outros princípios bíblicos que apresentam o que se conhece hoje como direita como um produto da cultura judaico-cristã. Eu escrevi dois livros sobre isso e eu sei que vou voltar a esse tema mais cedo ou mais tarde. Mas o ponto principal é que o cristianismo é de direita porque a direita é cristã. O pensamento político de direita, muitas vezes inspirado nos escritos de Alexander Hamilton, John Jay, James Madison e Edmund Burke, está intimamente ligado à manifestação de valores cristãos na política. E essa relação é tão forte que mesmo que não houvesse hoje uma direita relativamente bem-definida e organizada, os cristãos naturalmente iriam se reunir em algum grupo sólido para fazer oposição ao que a esquerda defende.

E você? Sabe o que é direita e esquerda? Concorda que há uma relação entre cristianismo e o pensamento de direita? Deixe sua opinião e até o próximo artigo.

Henrique Guilherme (Colunista) É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.

E-mail: henrique.guilherme@relevante.news

Henrique Guilherme
É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.
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