Coronavírus e Quarta Revolução Industrial: Qual a relação entre eles?

"Toda essa transformação digital abrupta pode ser uma oportunidade de preparação para todos nós. Para que a gente tenha o valioso recurso de já estarmos vivendo na prática potenciais efeitos de uma revolução sem a devida preparação", destaca Rafael Fernandes em novo artigo

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Aris Messinsis/AFP

Te convido a Imaginar o seguinte cenário:

1) Trabalhadores que não atuam em empresas com alguma operação digital estão sem trabalho, sem fonte de renda, dependendo de auxílio financeiro do governo.

2) Grande parte das empresas estão atuando no formato home office, colaboradores não precisam estar fisicamente nos escritórios para conseguir produzir.

3) As vendas do comércio eletrônico disparam, pedidos de serviço delivery aumentam drasticamente.

4) Micro, pequenas e médias empresas de todos os segmentos passam a buscar socorro em plataformas de vendas digitais, que conectam seus consumidores aos seus produtos de forma inteligente.

5) O consumo de conteúdo e entretenimento em plataformas digitais ultrapassa os de formato presencial.

6) Alunos do ensino regular estudam com tecnologia de ensino à distância.

7) O Conselho Federal de Medicina autoriza consultas por Telemedicina, onde médico e paciente não estão no mesmo local fisicamente e a consulta ocorre utilizando a tecnologia.

Poderia estar me referindo a um futuro distante, onde a Quarta Revolução Industrial teria mudado todo o paradigma social e econômico

Mas estou descrevendo 2020 e o cenário descrito foi causado pela pandemia do COVID-19, o novo coronavírus.

Analisando o contexto apresentado no início do artigo, é possível notar que essa pandemia causou impactos muito semelhantes aos que são previstos por especialistas para a Quarta Revolução Industrial, projetando os próximos anos.

Em minha opinião a pandemia apenas nos deu uma pequena amostra das mudanças que a sociedade irá passar:

1) Assim como estamos presenciando na crise atual, trabalhadores que não se adaptarem às funções que envolvem as novas tecnologias, ao sentirem grande dificuldade de recolocação profissional, dependerão de auxílio mensal para sobreviver. A fonte desse auxílio ainda é e será motivo de grande discussão.

2) Empresas de todos os tamanhos e todos os segmentos, devem desenhar sua estratégia e operação voltados para canais digitais. Não haverá mais distinção entre o ambiente físico e o digital. Internet da Coisas, Realidade Virtual, Inteligência Artificial e outras tecnologias convergentes irão eliminar completamente essa distância.

3) Os hábitos de vida e de consumo da maioria esmagadora da população mundial estão e serão ainda mais impactados por essas tecnologias nos próximos anos. Comprar, consumir conteúdo e entretenimento e as relações pessoais passarão prioritariamente por plataformas e produtos digitais.

4) Na educação, alunos tenderão a aprender novas habilidades, em um ensino inteligente, personalizado e híbrido (mistura do presencial com o digital). É incrível como nossas escolas estão distantes desse estágio, não?

5) Na saúde, a telemedicina, prontuários eletrônicos e a inteligência artificial irão revolucionar todo o sistema global, certamente será uma das áreas mais impactadas.

A transformação digital repentina e veloz que a sociedade mundial está passando por conta da pandemia, nos liga um alerta importante:

Devemos nos preparar como indivíduos, como profissionais, empresas, país e sociedade de uma forma geral, para uma devida adaptação à Quarta Revolução Industrial, para que ela não seja tão dolorosa e penosa para os mais vulneráveis e que ela não crie um fosso ainda maior de desigualdade, perdendo todo o resultado de diminuição conquistado nos últimos 100 anos.

Enxergando o copo meio cheio: Toda essa transformação abrupta pode ser uma oportunidade de preparação para todos nós. Para que a gente tenha o valioso recurso de já estarmos vivendo na prática potenciais efeitos de uma revolução sem a devida preparação.

Por isso, posicione-se, adapta-se, transforme-se em um indivíduo, um profissional e um cidadão digital. Muitas pessoas atualmente são meros consumidores digitais.

Tudo isso, sem esquecer o que carregamos de principal e mais valioso: A humanidade em cada um de nós.

Obrigado pelo seu tempo.

Rafael Fernandes (colunista) faz parte do time de Inovação da Softex e atua com políticas públicas voltadas para a Inovação e o Empreendedorismo, como o Conecta Startup Brasil. Possui Graduação em Gestão da Tecnologia da Informação e cursa MBA em Transformação Digital e Futuro dos Negócios pela PUC-RS. No Relevante News, Rafael é responsável pelo Podcast “Inovar é Preciso.”