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A denúncia que tem tirado o sono dos infiltrados no STF

"Codinome "Daniel" chantageia ministro do STF", destaca Henrique Guilherme em novo artigo

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Certamente, a notícia da semana foram os tweets do presidente denunciando que uma “autoridade” pode estar sendo chantageada por um conhecido comunista para tomar “decisões simplesmente absurdas”, como inquéritos e acusações sem fundamento, buscas e apreensões sem justificativa e ordens de prisões arbitrárias. O objeto da chantagem? Vídeos com a “autoridade” em cenas de sexo com menores, ou com pessoas do mesmo sexo, ou com traficantes (ou tudo isso ao mesmo tempo).

Como aficcionado em espionagem e práticas de subversão, eu já tinha conhecimento desse tipo de prática. Inclusive, tenho levantado essa suspeita em lives e artigos há algum tempo. Entretanto, o caso que me veio à cabeça ao ler essa denúncia foi o enredo do livro “Xequemate”, do hoje desembargador Fausto de Sanctis, publicado em 2010. Apesar de ser uma ficção, o autor revela que se baseou em casos reais que acabou tendo conhecimento como juiz.

No caso, um grupo de criminosos filma um deputado de esquerda fazendo sexo com duas crianças. Com o vídeo em mãos, o grupo consegue fazer com que o deputado defenda o indefensável e faça o impossível para defender os seus membros. Então, se o autor foi sincero ao dizer que se baseou em fatos reais para escrever o livro, o caso denunciado no domingo pelo presidente Bolsonaro não deve ser encarado como uma novidade.

Alguns devem se lembrar da chamada “Casa do Lobby”, que era mantida pelo PT para satisfazer os prazeres dos amigos em Brasília. Uma testemunha, o caseiro Francenildo Santos Costa, revelou parte do funcionamento da casa na CPI dos Bingos antes de ser suspenso pelo STF em março de 2006. Como boa parte do PT teve ou tem algum relacionamento com a inteligência cubana, é inevitável concluir que a casa foi usada para filmar pessoas de influência para que se mantivessem obedientes ao governo e tomassem “decisões absurdas”.

Mas voltando à denúncia, vários detalhes dão um contorno interessante ao caso. Primeiramente, a menção a um certo “Daniel” como o agente ativo da chantagem pode ser uma referência ao ex-guerrilheiro José Dirceu, que usava esse codinome durante o regime militar. O nome também mostra que a fonte de Bolsonaro é mais robusta do que um boato ou uma suspeita. O presidente não ouviu apenas que alguém está chantageando genericamente uma autoridade com vídeos comprometedores, mas que o agente é conhecido como “Daniel”.

Eu também não creio que a menção ao livro “A vida secreta de Fidel”, de Juan Reinaldo Sánchez, tenha sido apenas para informar sobre a prática, mas que foi uma forma de mostrar que esse “Daniel” tem algum tipo de relação com Cuba. E, de fato, José Dirceu morou em Cuba por quase cinco anos ao longo da década de 1970 e foi recrutado pela inteligência comunista que governava a ilha.

O segundo ponto relevante é de que o presidente tem noção do conteúdo dos vídeos. Ele fala de cena comprometedora com “menores”, “pessoas do mesmo sexo” e “traficantes”. Certamente, o presidente tem mais do que uma denúncia vaga contra tal “autoridade”, senão nem teria postado a informação em suas redes sociais. Bolsonaro fez a denúncia com elementos suficientes para os envolvidos reconhecerem que ele tem mais do que revelou. Pode ser até que ele tenha tido acesso a mais de um vídeo, um com menores e outro com traficantes, por exemplo.

Além disso, a denúncia vem poucos dias depois do encontro entre Bolsonaro e William Burns, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, ocorrido em 1º de julho. Interessante que o grupo de esquerda Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) já se mobilizou para perguntar ao Itamaraty o que foi tratado durante o encontro, como se informações de inteligência entre países não tivessem um grau de sigilo. De qualquer forma, o timing entre a visita e os tweets pode ser uma evidência de que o presidente tem material quente em suas mãos.

E o terceiro e mais importante ponto dos tweets é que o objetivo da chantagem envolve “inquéritos e acusações absurdas”, “buscas e apreensões”, “prisões arbitrárias” e quebras de sigilo, atribuições principalmente do poder judiciário. Ou seja, tudo indica que o presidente também tem informações precisas sobre o alvo da chantagem.

Já se tem uma noção de quem a “autoridade” poderia ser. Muitos têm apostado em Luís Roberto Barroso, que de acordo com Roberto Jefferson teria inclinações coincidentes com as que aparecem na denúncia e tem amizade com João de Deus, que já está sendo chamado de Jeffrey Epstein brasileiro. Como se sabe, Epstein é o famoso empresário ligado à família Clinton que foi preso por envolvimento em tráfico de pessoas e pedofilia. O empresário foi encontrado morto em sua cela no dia 10 de agosto de 2019 em uma prisão de Nova Iorque antes de poder dizer quais “autoridades” ele servia com mulheres e crianças em sua ilha particular.

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso e o curandeiro João de Deus

Além disso, Barroso apareceu em um simpósio na Câmara dos Deputados no dia seguinte às postagens, dia 5 de julho, defendendo a implantação de um regime “semipresidencialista” no Brasil a partir de 2026. Alguns entenderam a defesa como uma resposta à denúncia, indicando que ele pode ter mesmo vestido a carapuça.

Contudo, o teor das acusações pode apontar para outro sujeito que tem atuado fora das “quatro linhas da constituição” há algum tempo: Alexandre de Moraes. Afinal, é ele quem está abrindo inquéritos com acusações absurdas (inquérito das fake news), ordenando prisões arbitrárias (Oswaldo Eustáquio, Daniel Silveira, Sara Winter, entre outros) e determinado buscas e apreensões sem pé nem cabeça (Allan dos Santos, Enzo Leonardo Suzin, comandante Winston, entre outros) contra os defensores do presidente.

Aqui em Brasília, em uma das muitas manifestações de direita que fui, conheci um casal que disse ter trabalhado para Moraes e que revelou que ele é homossexual não tão enrustido. Esse casal falou que no seu meio é bem sabido que o ministro é gay e tenta esconder sua opção com muito pouco esforço. Se isso for verdade, é possível que o alvo das chantagens seja mesmo ele, que não tem poupado esforços para prejudicar o governo e sua base de apoio nas redes sociais.

No dia seguinte, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, também comentou o ocorrido e reforçou a hipótese de que o chantageado é mesmo um ministro do STF com inclinações homossexuais. Jefferson se referiu ao alvo das chantagens como “urubu”, que é como ele se refere aos atuais ministros da corte. É interessante notar que as insinuações e ataques de Jefferson contra os ministros quase nunca lhe causaram dor de cabeça, o que me faz desconfiar que ele mesmo tenha acesso a tais vídeos.

Mesmo sem uma certeza sobre qual autoridade a denúncia afeta, o que se sabe é que os ministros do STF estão mesmo desesperados. Prova disso é que pelo menos quatro deles já nem conseguem esconder sua atuação política e andam a se encontrar às escondidas com lideranças políticas para defender a agenda à qual servem. Nesses últimos dias, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e o próprio Barroso se reuniram com diferentes líderes de partido pedindo apoio contra a proposta de emenda constitucional que torna as eleições mais transparentes e as urnas eletrônicas auditáveis.

O problema é que essa intervenção no processo legislativo não é uma novidade, mas se soma ao conjunto de ações que sujeitam os elementos a serem afastados de suas atividades no STF, conforme o artigo 39 da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950. Na visão de muitos, a atuação dos ministros se encaixa em todos os casos que caracterizam crime de responsabilidade:

“Art. 39. São crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal:
1) alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;
2) proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;
3) exercer atividade político-partidária;
4) ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
5) proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

Acredito que se não tivessem culpa no cartório e que se um aumento de transparência no processo eleitoral não ameaçasse seus interesses, os ministros não estariam tão preocupados com a proposta de Bia Kicis. Eles não estariam se mobilizando com tanta energia para evitar a proposta caso ela não lhes afetasse. Contudo, tudo indica que eles sabem que a possibilidade de auditoria nas urnas eletrônicas pode frustrar os planos das potestades às quais eles servem e complicar suas vidas no futuro.

Tudo isso indica que podemos ter dias tumultuados adiante. A possível indicação de André Mendonça à vaga deixada por Marco Aurélio Mello em julho promete certa turbulência. A história recente mostrou que a quadrilha que se instalou no STF tem problemas com conservadores e com gente honesta, o que significa que eles não deixarão um evangélico assumir sem alguma luta. O Brasil passará por dores de parto que poderão anteceder o nascimento de um novo país, caso os conservadores consigam prevalecer, ou de uma ditadura progressista, caso a esquerda vença.

E você? O que acha das denúncias de Bolsonaro? Qual ministro foi filmado em vídeos comprometedores? Deixe sua opinião e até o próximo artigo.

Henrique Guilherme (Colunista) É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.

Henrique Guilherme
É escritor e apresenta o programa O Patriota: A Voz da Resistência. Ele é economista, mestre em Administração Pública e hipnoterapeuta. Também é pós-graduado em Administração de Empresas, Biotecnologia, Matemática e História Militar. Guilherme é geek, patriota, de direita e, principalmente, cristão. Ele dedica sua vida a derrotar as forças do mal e criou a série de livros Guia do Patriota para ajudar todos aqueles que buscam fazer o mesmo.

3 COMMENTS

  1. Nesse meio político e até empresarial das altas esferas não há “santo” independente de suas matizes preferidas. O que eu observei na reportagem que se faz muitas ilações e pouco ou nada de provas. Dizer que ouvi falar, ou no dia que aconteceu “X” fulano fez “Y” mais me parece previsões de cartomante / cigana que lê mãos.

    Como disse neste meio não existem “santos” e pra mim o que os move são CONHECIMENTOS ( para o bem ou para o mal ) e CONVENIÊNCIAS.
    Atualmente está muito difícil identificar a real verdade porque uma das técnicas das Fake News são misturar verdades com mentiras o que atrapalha o bom discernimento.

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