Decisões tomadas nos últimos dias pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a ser interpretadas como acenos ao bolsonarismo e aos senadores eleitos neste domingo (4).
As medidas ocorrem após a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno e em um cenário de ampliação da bancada bolsonarista no Senado. A Casa é responsável tanto pela aprovação de ministros do STF quanto pela abertura de processos de impeachment contra integrantes da Corte.
Entre as decisões citadas está a autorização, por Alexandre de Moraes, da progressão de pena de Débora dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, para o regime semiaberto. Ela estava em prisão domiciliar, mas cumpria pena em regime fechado.
Alexandre de Moraes arquivou o inquérito contra o senador Marcos do Val (sem partido-ES) e os jornalistas Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ed Raposo. A decisão acolheu uma manifestação da PGR. O arquivamento se deu em 4 de setembro, mas o caso veio a público com reportagem do Valor na 2ª feira (5.out.2026).
Gilmar Mendes, por sua vez, arquivou uma investigação contra Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente da República, por estupro, após considerar que não havia elementos mínimos para a continuidade do caso e acolher parecer da Procuradoria-Geral da República. Também há expectativa sobre uma decisão de Moraes a respeito de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas indicam uma possível mudança de tom do STF e podem representar uma disposição maior ao diálogo com o Senado Federal.