Daqui a dez dias, o Brasil pode acordar com uma das maiores mudanças nas relações de trabalho desde a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. A votação da PEC que acaba com a escala 6×1 está marcada para o dia 27 de maio no Plenário da Câmara dos Deputados, e enquanto milhões de trabalhadores acompanham de perto, a grande mídia continua enrolando o assunto em detalhes técnicos e cobertura superficial. O Relevante News foi direto ao ponto.
A proposta em votação é simples: acabar com a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso e adotar o modelo 5×2, com dois dias de folga por semana. Junto disso, a carga horária semanal máxima cai de 44 horas para 40 horas e, ponto crucial, sem redução de salário. Isso está expressamente proibido no texto da PEC.
O que está sendo votado de verdade
Duas Propostas de Emenda à Constituição estão em análise na Comissão Especial da Câmara. A PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais. Já a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), vai mais longe: escala 4×3 e semana de 4 dias. O relator Leo Prates (Republicanos-BA) sinalizou que o texto base será o de Lopes — mas com uma emenda importante: a mudança será de 44h para 40h semanais, em modelo 5×2, sem a redução mais radical proposta por Hilton.
“Não sou de esquerda. O relatório não será contra ninguém, mas nós temos lado — é o lado das pessoas.”— Dep. Leo Prates (Republicanos-BA), relator da PEC
Para ser aprovada, a PEC precisa de 308 votos favoráveis na Câmara, em duas votações separadas. Depois, vai ao Senado, onde precisa de 49 votos, também em duas rodadas. Se tudo correr conforme o planejado, a promulgação pode ocorrer até 15 de junho.
O que a grande mídia está escondendo
Os grandes veículos cobrem a pauta com frieza técnica — audiências públicas, cronograma, declarações de ministros. O que eles não destacam é o contexto real por trás da velocidade incomum com que esse projeto está andando em Brasília. Deputados que são historicamente contrários à redução de jornada estão declarando voto favorável. O motivo? Simples: estamos em ano eleitoral, e pesquisas mostram que 70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.
⚡ Os fatos que a mídia suaviza
📊70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, segundo pesquisas recentes — dado que o setor empresarial prefere ignorar.
💼O setor varejista, de hotéis e restaurantes — que mais usa a escala 6×1 — financia campanhas de deputados e tenta barrar a votação nos bastidores.
🗓️A proposta trava a pauta do Congresso a partir de 30 de maio se não for votada — ou passa agora, ou vai para depois das eleições.
🏛️O governo Lula enviou seu próprio PL (1.838/2026) para “controlar” os termos da mudança — garantindo 40h semanais e 5×2, sem as propostas mais ousadas da oposição.
⚠️Em 2010, o Brasil perdeu a mesma oportunidade por brigas internas no Congresso. Agora, o relator citou esse episódio como alerta.
Cronograma: o que vem pela frente
18 MAI
Audiência pública — Perspectiva dos empregadores – Setor empresarial apresenta seus argumentos contra a redução da jornada.
19 MAI
Audiência pública — Perspectiva dos trabalhadores – Sindicatos e centrais sindicais apresentam suas demandas e apoio à PEC.
20 MAI
Relatório final do relator Leo Prates – Texto definitivo da PEC é apresentado à Comissão Especial.
26 MAI
Votação na Comissão Especial – Primeiro crivo. Se aprovado, segue para o Plenário.
27 MAI
🔴 Votação no Plenário da Câmara – Dia decisivo. Precisa de 308 votos. O Brasil vai saber se a mudança avança.
JUN
Senado + promulgação (se aprovado) Meta: promulgação até 15 de junho de 2026.
O eleitor está de olho
Um detalhe revelador foi declarado pelo deputado federal Lucas Redecker (PSD-RS): há colegas que são contrários à mudança, mas vão votar favoravelmente por ser ano eleitoral. Em outras palavras, o medo das urnas em outubro está fazendo o Congresso se mover numa velocidade que raramente se vê em Brasília.
O Relevante News vai acompanhar cada passo dessa votação em tempo real. Siga nossas redes para saber, nome por nome, como cada deputado votou — e quem traiu o trabalhador brasileiro na hora H.
por Tiago da Silva